Diadema - Uma forte turbulência acometeu os ocupantes de um Boeing 737 da empresa Gol, na tarde da última quinta-feira em Diadema, na Grande São Paulo. A aeronave sofreu com uma forte rajada de vento quando pousava no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, mas ninguém se feriu. A notícia não faz sentido? A mesma desorientação geográfica foi sentida pela reportagem ao descer do simulador de voo no Centro de Treinamento de Pilotos, em Diadema, minutos após "pousar" na cidade que receberá os Jogos Olímpicos.
A atividade fez parte do workshop Bastidores da Aviação, oferecido à imprensa pela companhia aérea nos dias 29 e 30 de junho. Os três simuladores instalados em um grande galpão chamaram a atenção pelo nível de realismo. Cada aparelho chega a custar quase R$ 150 milhões, preço equivalente a de um avião Boeing 737, família única na Gol, com pequenas variações de modelos. "É a mesma tecnologia embarcada de uma aeronave. Os pilotos e copilotos são treinados como se estivessem no ar antes de realmente enfrentarem um voo de verdade", comentou o presidente da Gol, Paulo Sérgio Kakinoff.


As cabines dos simuladores Lockeheed Martin, onde ficam os tripulantes, são fixadas sobre três pares de braços hidráulicos com amortecedores, que se movimentam e dão o tom de realismo com a percepção da gravidade em decolagens, aterrissagens e até mesmo de turbulência em meio às nuvens. Já o visual fica por conta do software que simula cenários de todo o mundo com grande precisão. "Se você olhar, os carros estão se movimentando pela Avenida Atlântica", alertou o piloto, que comandava o voo de simulação entre os aeroportos do Galeão e Santos Dumont, ambos no Rio de Janeiro.
Dentro de outra cabine, um comandante opera duas telas onde consegue simular diversas situações como temporal, fogo em turbina ou falha mecânica. Para chegar ao simulador, o candidato a piloto da Gol tem que ser aprovado nas aulas teóricas. Passada essa fase, ele ganha o direito de ser testado no aparelho. Para um piloto inicial, são pelo menos 11 sessões. Em média, uma missão de treinamento no simulador é composta de uma hora e meia de reunião prévia de briefing, duas horas de treinamento de voo no equipamento, seguidas de outras duas horas em uma segunda rodada, finalizando com uma reunião de briefing pós-voo de 30 minutos.

MITOS
Sabe aquela cena que você já deve ter visto em algum filme, quando a janela de um avião é destruída e tudo é sugado para fora da aeronave? Dan Guzzo, gerente-executivo de segurança operacional da Gol, garante que aquilo só existe na ficção. Ele explicou que a despressurização da aeronave, embora muito incomum, é uma situação que pode ser contornada sem grandes problemas.
Guzzo explicou que na altitude de cruzeiro, a cerca de 11 mil metros, em que o consumo de combustível é menor, o ar é rarefeito. Por isso, uma atmosfera artificial é criada na aeronave por meio da pressurização. "Lá em cima existe ar, mas não na pressão ideal para respirarmos. Quando há uma despressurização, a máscara fornece esse oxigênio em maior quantidade", detalhou.
O procedimento foi demonstrado pelo diretor de operações Carlos Junqueira. "A autonomia do oxigênio é de 22 minutos, sendo que em menos de um terço deste tempo a aeronave já consegue descer a uma altitude em que é possível respirar normalmente. E não teremos papéis voando, pessoas sendo arremessadas, como nos filmes", brincou.

O jornalista viajou a convite da Gol

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