A face triste da doença
Por falta de dinheiro na época, quando o chinelo do pé direito arrebentou, o vendedor de frutas Carlos de Oliveira, 42 anos, usou um ''preguinho'' para remediar e continuar trabalhando pelas ruas de Ortigueira, onde vivia com a mulher, a mãe e os quatro filhos. Diabético há anos, sem sensibilidade nas pernas e sem conhecer os riscos, o pior aconteceu: o prego feriu o pé direito, veio a infecção e ele só procurou ajuda quando a única saída era a amputação.
A família foi obrigada a se mudar para Londrina, em meados do ano passado, para que Oliveira pudesse ser tratado no Hospital Universitário. Ainda assim, tudo foi muito complicado. ''Disseram que teria que amputar o dedão, depois três dedos, depois metade do pé. A cirurgia foi demorando tanto que um dia me desesperei e ameacei fugir do hospital. Fui 12 vezes para o centro cirúrgico'', relembra angustiado. A operação foi feita em 6 de julho do ano passado e ele ficou apenas com parte do calcanhar.
A recuperação foi lenta e demorada. Sem condições de trabalhar, Oliveira e a família passaram a depender apenas da aposentadoria de um salário mínimo da mãe. Para continuar o tratamento, todos foram morar em uma casa cedida por um conhecido, com energia elétrica apenas na sala, porque a fiação foi roubada. Mesmo assim, o imóvel terá que ser desocupado dentro de alguns dias. A família não possui móveis, roupas e a maior parte do que come é conseguida por meio de doação. Imobilizado em um sofá e com a situação financeira e familiar em frangalhos, Oliveira se arrasta pelo chão para ir de um ponto a outro e confessa que já pensou no pior. ''Dependo das pessoas para tudo. É duro ver um filho seu precisando de alguma coisa e você não ter como fazer nada'', se desespera.
E ele ainda tem uma batalha grande pela frente. Há 15 dias, percebeu que o local da amputação estava expelindo um pedaço de linha azul. Voltou ao hospital e descobriu que terá que passar por outro procedimento para retirada da linha que, ao que tudo indica, não foi absorvida pelo organismo e pode provocar novas infecções. ''Eu não sabia que, por ser diabético, um machucado no pé poderia ser tão perigoso. Se soubesse, teria procurado ajuda antes'', lamenta. (L.A.)
SERVIÇO:
■ Quem puder ajudar, a família está precisando de todo tipo de donativos. O contato pode ser feito pelo telefone 3337-8270 (falar com Maria Rodrigues).





