''Senti como se tudo no mundo fosse pequeno''. Essa foi a sensação da bancária Juliana Tescaro, 33 anos, ao pegar o resultado dos exames que comprovaram sua primeira gravidez. Uma mistura de surpresa com realização e medo do desconhecido fez com que ela e o marido, também bancário, Allyson Caminoto Francisconi, 34, iniciassem uma série de planejamentos e buscas por informações para receber o primogênito da melhor forma possível.
''Imagino uma gravidez tranquila em relação à saúde, mas cheia de surpresas. Penso no sexo do bebê, no quarto, se vai ser loirinho ou moreno, uma gravidez onde vamos poder curtir todos os momentos. O primeiro enjoo, o primeiro desejo, as mudanças no corpo...e principalmente uma maior aproximação do casal, em busca de uma relação sempre melhor para dar exemplo à vidinha que está a caminho'', comenta a gestante de três meses.
É justamente essa aproximação do casal e a presença contínua do pai em todo o processo que a psicóloga Jacqueline Queirolo enfatiza ser extremamente importante. ''A espera pelo nascimento gera angustia no casal pela própria rotina. Além disso, espera-se uma criança perfeita e de repente surge uma criança que chora muito, que não dorme à noite. É preciso acolher essa mãe e fazer com que ela se sinta sempre bem'', diz.
Jacqueline faz parte da equipe multidisciplinar de profissionais que integram o curso de gestantes do Hospital Evangélico de Londrina. Além dela, fonoaudiólogos, nutricionistas, médicos e enfermeiros preparam casais para aprenderem tudo sobre a gravidez, desde o momento em que recebem a notícia até o parto. Jacqueline lembra que é muito comum a depressão pós-parto surgir em decorrência do afastamento do homem. ''O pai deve estar 100% envolvido. O diálogo é importante e a mulher deve buscar nas pessoas que tem vínculo forte o cuidado necessário, como a própria mãe dela, o marido e amigos'', diz.
O enfermeiro Gilberto Berg, especialista em obstetrícia, lembra que algumas pesquisas afirmam que inclusive o pai também sofre depressão pós parto, principalmente nos primeiros seis meses, quando o bebê o ''substitui''. ''O filho toma um espaço que é dele. Financeiramente tudo muda no ambiente familiar, por isso é importante um planejamento para receber esse filho'', diz.
Mãe saudável - Cuidados com o corpo são fundamentais durante a gestação. Berg lembra que o ideal era que toda mulher já estivesse bem condicionada antes de engravidar, mas como isso dificilmente acontece, ele aponta algumas dicas para aquelas que já receberam a notícia da chegada do bebê. ''É necessário se preparar para o parto. O parto natural sempre é a melhor escolha, tanto fisicamente quanto psicologicamente. Quando o bebê passa pelo canal vaginal ele é massageado e toda parte circulatória é ativada'', diz.
O fortalecimento do abdômen também é importante. Segundo o enfermeiro, a atividade pode ser feita com acompanhamento de um profissional. ''O abdômen fortalecido não desenvolve hérnias nem estrias. Claro que até o terceiro mês de gravidez é necessário um cuidado maior com qualquer atividade de impacto, mas hidroginástica e até mesmo uma caminhada leve são totalmente recomendáveis''.
Pesquisas apontam que cerca de 65% a 70% das gestantes sofrem de dor lombar. Berge lembra que existem alongamentos específicos para fortalecer também essa área. ''Ainda assim, é notável a diferença entre gestantes que já tinham um condicionamento físico antes de engravidar, em todos os sentidos. Há uma melhora na oxigenação e formação do bebê e todo funcionamento do corpo da mulher depois do parto se desenvolve melhor'', diz.
Serviço - O curso de gestantes oferecido pelo Hospital Evangélico é aberto a comunidade e é gratuito. (43) 3378-1313.

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