'A esperança é a última que morre'
''Chegam até nós mulheres que apanharam na frente dos filhos, com fios elétricos. Algumas vêm com as costas todas machucadas; outras, com partes do cabelo arrancadas''. Não é das mais fáceis de digerir essa declaração da secretária municipal da Mulher, Maria José Barbosa, sobre as vítimas de violência de Londrina que procuram ajuda no Centro de Atendimento à Mulher (CAM). O pior é que os relatos representam apenas um terço de todos os casos que poderiam ser denunciados na cidade.
Acreditando no ditado popular ''a esperança é a última que morre'', a aposentada Maria Peralta, de 71 anos, entrou para o grupo de ''promotoras da cidadania'' na tentativa de reverter essa situação. Vítima de violência doméstica na mocidade, ela conta que já sofreu na pele o que hoje muitas atendidas lhe contam. ''Meu marido era alcoólatra. Agora vejo que não precisa esperar 30 anos para procurar ajuda'', resume.
Já para descrever a atividade de ''promotora'', ela não economiza palavras; afinal, apesar das dificuldades do trabalho, ''foram muitas conquistas em tão poucos meses'', garante. Nem todos os atendimentos são bem sucedidos: ''Tento conversar com o agressor e a vítima e buscar uma reconciliação mas é difícil. Esses dias, mesmo, fui dar orientação a uma mulher toda ferida pelo marido, mas ela tinha muito medo do que pudesse acontecer depois'', lamentou.
Outra ''promotora da cidadania'', a estudante Narriman Dalgiso, de 15 anos, confessa que a idade às vezes atrapalha na abordagem às vítimas de violência. ''As pessoas acham que não vai resolver nada abrir-se com uma adolescente, em busca de orientação'', justifica. Mesmo assim, ela é persistente: ''Quando se vê que a ajuda não está tão longe quanto se pensa, tudo fica mais fácil. Só por esse apoio que temos conseguido dar já vale a pena''.





