No Brasil, não há estudos que identifiquem a porcentagem de pessoas que têm paralisia cerebral, mas especula-se que a incidência seja alta e várias podem ser as causas da doença. Apesar de estar ainda em caráter experimental, muitas famílias buscam na China o tratamento com células-tronco. Especialista londrinense afirma que pesquisas já confirmaram que as células-troncos têm potencial regenerativo em muitos órgãos, mas ainda há muita especulação sobre o assunto.
No Centro de Pesquisa localizado em Pequim, os pesquisadores utilizam células do cordão umbilical de crianças chinesas e, após um procedimento realizado em laboratório, este material é aplicado no paciente.
''No Brasil este tipo de tratamento não é realizado. Mesmo na China, é desenvolvido em caráter experimental. Eles até tiveram um bom resultado com pacientes que têm doenças degenerativas, como o Mal de Parkinson e de Alzheimer, mas estas são doenças que estão em atividade, estão sempre em desenvolvimento. No caso da paralisia cerebral é diferente por que o cérebro já tem uma lesão crônica, como se fosse uma cicatriz'', explica a médica neurologista Maria José Fabre Ferraz, de Londrina.
Para a médica hematologista do Hospital Universitário, Letícia Gordan Martins, ainda são necessários muitos anos de pesquisa para afirmar que a utilização de células-troncos é positiva. ''É preciso analisar o paciente vários anos após o tratamento para saber se não houve algum efeito negativo posterior. Como a tecnologia é muito nova, os pesquisadores ainda não tiveram tempo para isso'', observa. ''As pessoas acreditam que as células-troncos têm superpoderes, a verdade é que somente saberemos os reais efeitos deste tratamento no futuro'', acrescenta.
Atendimento
Conforme a neurologista Maria José, pacientes com a doença são atendidos por vários profissionais. ''Os fisioterapeutas desenvolvem trabalhos que estimulam os músculos, os fonoaudiólogos fazem atividades que estimulam a mastigação e a deglutição, existem vários tratamentos que induzem a uma melhora na qualidade de vida do paciente. É o que chamamos de reorganização cerebral'', explica Maria José. Conforme ela, nos casos em que a lesão no cérebro é localizada, é mais fácil recuperar o paciente, já em situações de lesões mais difusas ou mais amplas é mais complicado.
A médica disse que, independente disso, é importante saber a causa da doença, já que em alguma situações, a partir desta informação, um tratamento pode ser iniciado. ''As pesquisas estão avançado muito em alguns casos. Em geral a doença está relacionada a quatro situações: pode ter ligação genética, metabólica, relação com dificuldades enfrentadas no parto ou ter sido causada por alguma infecção.''

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