'A espera não pode matar a esperança'
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de agosto de 2012
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 
Londrina - Quem olha hoje para Beatriz Gabriela Felisbina da Silva, que acaba de completar 9 anos, não imagina o quanto ela lutou para sobreviver. Em julho do ano passado, Beatriz foi vítima de um atropelamento na Rua Araguaia (Região Central), quando atravessava a faixa de pedestres. Ela foi arremessada a mais de seis metros e ficou entre a vida e a morte.
A cada dia que passa, Beatriz recupera aos poucos os movimentos do corpo, a intimidade com a fala e as lembranças dos momentos vividos antes do acidente. Há três meses, ela voltou a frequentar a escola e agora, espera ansiosamente o retorno às aulas de balé, sua atividade favorita.
Para celebrar sua recuperação e agradecer a todas as pessoas que se envolveram com a história de Beatriz, será realizado um culto de ação de graças hoje, às 20 horas, na Comunidade Cristã Centro de Vida, que fica na Rua Figueira, 1.075, no Jardim Santa Rita (Zona Oeste).
''Depois de tudo que passamos, nós queremos agradecer a Deus e a todos aqueles que nos ajudaram, seja financeiramente ou por orações. Foi um milagre'', comenta o pai Isaque Roberto da Silva, de 33 anos, que trabalha no ramo de festas infantis. Feliz da vida, Isaque afirma que o acidente não só mudou a vida de sua filha, mas de toda a família. ''Antes do acidente, tínhamos o trabalho como foco, mas agora, é a família. Nós temos muito mais compreensão e dedicação. Isso mudou muito em nós'', afirma.
O caso de Beatriz ficou conhecido nacionalmente. A menina passou por uma craniectomia descompressiva (cirurgia que consiste na retirada de um pedaço do crânio do paciente a fim de diminuir a pressão intracraniana) e ficou 53 dias internada no Hospital Evangélico. Meses depois, ela teve de se submeter a uma outra cirurgia para implantação de uma prótese biocompatível, no valor de R$ 147 mil.
Para arrecadar o restante do dinheiro - a família precisava de R$ 90 mil - foi realizada uma campanha na internet em prol de Beatriz e a FOLHA publicou uma matéria sobre o caso. ''Recebemos ajuda de muitos desconhecidos também. Fiquei impressionado de como a história da minha filha comoveu tanta gente. É por isso que nós queremos por meio deste culto, agradecer a todos'', diz.
Ao lado dos outros filhos Matheus, de 11 anos e Daniel, 3, Isaque e Silmara comemoram cada sinal de recuperação da filha, que continua sendo atendida por uma equipe multidisciplinar com fonoaudiólogos, fisioterapeutas e psicólogos. ''Hoje, tudo o que passamos é como uma linha do tempo na minha cabeça. O momento do acidente, a angústia no hospital, a volta dela para casa, praticamente imóvel e agora ela aqui, cheia de vontade de brincar, correndo pela casa'', diz o pai, ao brincar que toda essa energia da filha acaba enlouquecendo a mãe. ''Ela sai correndo e eu fico desesperada atrás'', confessa Silmara.
E para todos aqueles que passam por uma situação semelhante à de Beatriz, Isaque faz questão de deixar um recado. Ele destaca que a maior lição que aprendeu foi de que ''a espera não pode matar a esperança. Passamos o ano inteiro lutando, sem perder a fé. Hoje, temos motivo para nos alegrar a vida toda. Minha filha está de volta'', comemora.


