Londrina – Trinta guardas municipais começaram ontem o treinamento para utilizar os dois micro-ônibus de videomonitoramento do programa "Crack, é Possível Vencer". Até quinta-feira, os agentes terão aulas teóricas e práticas e estarão aptos a desenvolver as atividades de prevenção e repressão ao crack e outras drogas. O problema é que as 20 câmeras de vigilância, que serão instaladas em pontos estratégicos pela cidade, seguem sem previsão de chegada.
De acordo com o secretário de Defesa Social de Londrina, coronel Rubens Guimarães, o Ministério do Trabalho, responsável por comprar e fornecer os suprimentos, enfrentou um problema burocrático e precisou refazer o processo licitatório dos aparelhos. Conforme previsto em contrato, os equipamentos só podem ser usados em conjunto. Enquanto isso, não há previsão para o início das atividades do programa em Londrina.
Além dos ônibus e das câmeras, os dois kits de segurança recebidos incluem quatro viaturas, quatro motocicletas e 100 armas não letais de eletrochoque. Guimarães explicou que as câmeras serão instaladas em dois pontos chaves na cidade: Residencial Vista Bela (zona norte) e Marco Zero (zona leste), regiões consideradas mais críticas pelas forças de segurança. As imagens serão recebidas pelo sistema de monitoramento do ônibus a uma distância de até três quilômetros.
Guimarães detalhou que o programa prevê ações integradas entre as secretarias municipais de Defesa Social, Saúde e Assistência Social, além das polícias em casos específicos. "O papel da Guarda Municipal não terá foco apenas na repressão, vamos priorizar a reabilitação. Porém, uma vez que identificarmos o traficante, a polícia será acionada." Dos 368 homens da Guarda Municipal (GM), 40 serão deslocados exclusivamente para o programa.
O diretor da GM, Osmar dos Santos, acredita que os ônibus vão dar mais efetividade nas ações de combate ao crack. "Mais que uma questão de segurança, o crack é hoje um problema social. A ajuda da tecnologia, junto com a ação integrada das secretarias, será muito importante para o sucesso do programa. Tem tudo para dar certo", enfatizou.
Santos explica que os usuários abordados poderão ser encaminhados ao Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps-AD) ou ao Consultório de Rua, da Assistência Social.
Os micro-ônibus são equipados com quatro câmeras externas, duas internas, além de uma móvel que pode ser instalada em um mastro de 11 metros. Dentro do veículo, os guardas terão banheiro, frigobar, micro-ondas, mesas para reuniões e nove telas de monitoramento. O curso ministrado pelo instrutor Marcos Fabri Casas, da empresa que equipou os veículos, tem duração de 20 horas. Os guardas que receberem a capacitação poderão repassar as instruções aos outros colegas.
A reportagem entrou em contato com o Ministério da Justiça na tarde de ontem para saber o motivo do atraso da entrega das câmeras de monitoramento, porém foi informada que a pasta não conseguiria levantar as informações requisitadas o fechamento da edição.

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