São Paulo - Homens com mais de 40 anos, apreciadores de boa comida e bebida, que fazem o estilo 'bom vivant'. Segundo médicos reumatologistas, esse é o perfil típico do paciente de gota, doença reumática caracterizada por inflamações agudas e dolorosas nas articulações. O grande vilão da história é o ácido úrico que, em excesso no sangue, pode formar cristais que se acumulam nas articulações e desencadeiam a crise.
Nem todas as pessoas que têm ácido úrico elevado desenvolvem a gota. É preciso ter uma predisposição genética, algo que só é revelado a partir dos primeiros sintomas. O reumatologista Hebert Seiiti Kajiura, do Hospital Beneficência Portuguesa, explica que a primeira crise costuma ocorrer no meio da noite. ''A pessoa vai dormir bem e acorda durante a madrugada com uma dor muito intensa, geralmente na base do dedão do pé. A dor é tanta que é como se a articulação estivesse sendo arrancada para fora'', diz.
Quem já passou pela crise garante que a dor é uma das mais fortes já experimentadas. ''Até o peso do lençol sobre meu pé provoca muita dor e não dá para colocar o sapato'', diz o ferramenteiro aposentado Fernando Pó, de 72 anos, que convive com a doença há 40 anos. Ele conta que, mesmo depois das primeiras crises, ainda demorou até que a gota fosse diagnosticada. ''Eu ia ao médico da empresa e ele me mandava para o ortopedista, que só receitava anti-inflamatório e me liberava'', relata.
Só depois de uma consulta com o reumatologista é que houve a constatação do alto nível de ácido úrico no sangue. A partir do diagnóstico, passou a fazer um tratamento crônico com medicamentos e recebeu recomendações para mudar seus hábitos alimentares. ''O paciente com gota pode ter uma vida normal desde que tome os remédios, faça o controle da alimentação e se exercite'', explica o médico Luiz Carlos Latorre, presidente da Sociedade Paulista de Reumatologia (SPR). Ele acrescenta que grande parte desses pacientes são indisciplinados com relação ao tratamento porque, entre uma crise e outra, não sentem dores.
As principais fontes do ácido úrico são as carnes vermelhas, os frutos do mar, o álcool e alguns grãos, como o feijão e a lentilha. A restrição desses alimentos não precisa ser total, mas excessos devem ser evitados, principalmente com relação ao álcool. Vale lembrar que só o controle alimentar não é suficiente para curar a gota. O reumatologista Ari Radu, do Hospital Israelita Albert Einstein, esclarece que a parte medicamentosa é a base do tratamento e a mudança de hábitos alimentares desempenha uma função complementar.



O sintoma mais comum da gota - e que aflige cerca de três quartos das pessoas que sofrem dela - é a dor torturante na articulação que liga o dedão ao restante do pé. Entretanto, as articulações em outras partes do corpo, incluindo pés, mãos, pulsos, joelhos, ombros e cotovelos, também são alvos dos ataques da gota.

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