São Paulo - Depois de abandonar o noivo violento no altar, Julia Bennet sai dirigindo a toda velocidade ainda trajando o vestido de noiva. Com uma mão no volante e outra na bolsa, ela abre uma caixa contendo uns quadradinhos de chocolate. Ainda aos prantos, come um... No segundo, sente-se mais calma. No terceiro, o pranto se transformou em euforia. A libertação. Ao chocolate Julia se agarra e é ele quem lhe desvenda um novo mundo. Esta história é contada no romance ''Terapia do Chocolate'', (Ed. Arx), da escritora americana Cathy Lamb, mas poderia ser o enredo de nossas vidas. Quem de nós já não sentiu a sensação de bem-estar proporcionada por um (ou vários) bom naco de chocolate?
Essa sensação tem explicação científica. O chocolate contém substâncias que aumentam os níveis de serotonina no cérebro, a mesma que provocam os exercícios físicos e a relação sexual e que nos dá a sensação de bem-estar. Daí muita gente se dizer viciada em chocolate. ''O chocolate é bom, porque é gostoso, mas também engorda. Por isso não indico como terapia'', alerta o cardiologista e nutrólogo do Hospital do Coração de São Paulo (HCor) Daniel Magnoni.
''O chocolate tem várias propriedades nutritivas, mas o excesso pode causar obesidade, enxaqueca, irritações na pele, no estômago, além de distúrbios intestinais'', observa a nutricionista clínica do Hospital Sírio Libanês Adriana Yamaguti.
E também não é qualquer chocolate que traz todos esses benefícios, conforme alertam os profissionais. Quanto mais amargo melhor, nos quais o cacau, no qual se concentram os nutrientes, está mais evidente. Por isso, atenção ao rótulo dos ovos, barras e caixas de bombons dispostos nas prateleiras dos supermercados.
O equilíbrio na hora de comer também vale para o chocolate. E qualidade, diga-se de passagem. Um chocolate de qualidade, segundo Adriana, tem flavonoides - um antioxidante que faz um bem enorme ao coração, porque reduz o risco de doenças cardíacas -, vitaminas A, B, C e D, além de cálcio, potássio, magnésio e sódio. Possui também ácido oleico, que eleva o colesterol bom (HDL) e diminui o ruim (LDL), protegendo as artérias do coração.
Agora, quanto comer? ''O chocolate tem mais ou menos sete calorias por grama. Quanto mais açúcar, mais leite, mais gordura, mas calórico é. Então, quanto menos açúcar melhor'', diz Magnoni. Adriana dá uma notícia ruim àqueles que comem fácil uma caixa de bombons. ''Não indico comer todos os dias. O ideal são 30 gramas (um bombom pequenininho) três vezes por semana, do amargo'', diz.
Para aqueles que compram os do tipo diet (sem açúcar) achando que podem comer mais, a nutricionista desconstrói o mito. ''A produção do chocolate diet troca o açúcar pelo adoçante, que modifica a textura. Por isso, os fabricantes colocam mais gordura para obter uma textura melhor. Assim, o produto fica mais calórico.''

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