Paris, 09 (AE) - Os ecologistas, os "verdes", estão em plena agitação, na França e na Alemanha. Na Alemanha, sua impopularidade faz o governo social-democrata de Gerhard Schroeder, no qual conseguiram uma forte presença, vacilar. Na França, não há uma semana sem que os "verdes"(também representados no governo socialista de Lionel Jospin) sejam criticados, seja pelos que praticam a caça, seja pelos operários das usinas nucleares, seja pelos agricultores.
Na Alemanha, a revolta contra os "verdes" provocou o primeiro grande fracasso do novo chanceler Schroeder, tendo sido a coalizão governamental de esquerda derrotada, domingo, nas eleições regionais de Hesse (Frankfurt) e, consequentemente, perdendo a maioria absoluta na Bundesrat, a Câmara Alta.
Por que essa animosidade dos alemães contra os "verdes"?
Porque os ecologistas conseguiram, em menos de três meses, impor, aos socialistas de Schroeder, medidas radicais: em primeiro lugar, acabar com as experiências nucleares e, em seguida, a reforma do código da nacionalidade, devendo este basear-se, no futuro, no "direito do solo" e não mais no tradicional "direito do sangue".
O chanceler socialista Schroeder, que não se entusiasmou com essas duas reformas, no entanto, cedeu às pressões de seus aliados "verdes". As consequências, para ele, foram desastrosas: os dois projetos foram estraçalhados e isso lhe custou a maioria, nas eleições de Hesse.
Pelo abandono das experiências nucleares, a revolta partiu, em primeiro lugar, do exterior, especialmente da França e da Inglaterra, que "reprocessavam" até então os resíduos nucleares alemães, e em seguida, dos grupos de eletricidade alemães. E Schroeder, que não brilha pela determinação, logo retirou seu projeto e remeteu o fim das experiências nucleares a uma data indeterminada.
O segundo projeto de inspiração dos ecologistas, a reforma da nacionalidade, deveria ter como primeiro resultado a abertura da nacionalidade alemã a 4 milhões de imigrantes (sobretudo turcos) da segunda e terceira gerações. Ora, o espírito público, na Alemanha, não brinca com a nacionalidade. A condenação foi instantânea e peremptória: derrota de Schroeder nas eleições de Hesse.
Um terceiro grande projeto "verde", a "reforma fiscal", que pretende taxar pesadamente a energia, para financiar a assistência social, no momento, está congelado. Schroeder, que é muito amigo dos fabricantes de automóveis, recusou-se a aumentar vinte centavos no preço da gasolina.
Assim, o balanço é desolador: os três grandes projetos dos "verdes" estão em pane seca. E, apesar disso, é o poder socialista de Schroeder que paga a conta.
Na França, os ecologistas são menos influentes no governo (um único ministro, o do meio ambiente, Domonique Voynet). No entanto, o suficiente para suscitar revoltas brutais: ontem, duzentos agricultores franceses, atormentados com as repreensões, os conselhos e projetos do ministro "verde" do meio ambiente, Dominique Voynet, devastaram o escritório do ministro (engraçado é que esses agricultores irados são aqueles da Beauce, ou seja, os mais ricos de toda a Europa).
Mas os "verdes" franceses provocaram a raiva dos operários das usinas nucleares. E, em seguida, um tiro específico na França: os que praticam a caça, que são inúmeros nesse país, atrapalham regularmente, de maneira grosseira, e, às vezes, paralisam, todas as reuniões dos delegados do partido "verde".
Assim, seja na França ou na Alemanha, uma rejeição visceral e colérica da "ecologia" perturba, há quinze dias, o jogo normal das forças políticas.

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