Londrina - Dona Alzira tem 87 anos e, há cinco, teve um AVC que provocou dificuldades de mobilidade. Apesar da saúde mais frágil, ela fez questão de continuar morando sozinha. A solução encontrada pelos filhos foi contratar uma cuidadora de idosos que a acompanha todos os dias, além de uma outra funcionária que fica nos fins de semana. "Depois do AVC queria que minha mãe viesse morar comigo, mas ela faz questão de manter a casa dela. A família decidiu respeitar esta vontade", revela a filha Sueli Mestre, que conta com a ajuda da irmã Oseli Ferrari para administrar a vida da mãe.
"Minha sogra ficava três meses na casa de cada filho e não foi bom para a saúde dela. Quando voltou para a casa onde morou por 50 anos, ficou mais animada", conta ela, justificando porque decidiram respeitar a vontade da mãe.
O fato de morar sozinha não significa que dona Alzira tenha uma vida solitária. As filhas fazem questão de visitá-la todos os dias, inclusive fazendo companhia na hora do jantar. "O único problema desse esquema é o custo, pois o serviço é caro. Como minha mãe vive de uma pequena pensão, os cinco filhos dividem a despesa", revelou.
Encontrar uma cuidadora confiável foi outro desafio enfrentado pela família. "Depois de muita rotatividade, chegamos a uma ótima pessoa. Telefonamos sempre para orientar sobre os cuidados, porque nos preocupamos. Também somos nós que fazemos as compras para a casa", diz.
Candinha Valadão, 78 anos, dispensa a ajuda de cuidadores para realizar as atividades do dia a dia. Matriarca de uma enorme família composta por oito filhos, 17 netos e 17 bisnetos, ela vive sozinha em um apartamento no Centro da cidade, o que considera excelente por estar perto de tudo.
Costureira de roupas finas, ela só abandonou a máquina de costura há quatro anos por excesso de preocupação dos filhos. "Mas continuo costurando minhas próprias roupas", conta. Depois de criar oito crianças em uma casa que costumava estar sempre cheia, ela curte atualmente os pequenos prazeres proporcionados pela vida sossegada. "Acordo cedo, assisto à missa e só depois vou tomar café. Canto no coral da Catedral e tenho nos meus vizinhos de prédio a segunda família", afirma, ressaltando que vive sozinha, mas não é solitária.
"Gosto de viajar, visitar os filhos, passear pela cidade. Costumo ir à pé até a Avenida Arthur Thomas (zona oeste), onde mora minha filha", orgulha-se. Outro prazer de Candinha é a leitura. Dona de uma grande coleção de livros, ela encontra na Biblioteca Municipal novos exemplares para se distrair. "Gosto de ler na cama. Nunca vou sentir solidão se tiver a companhia de um livro", afirma.
Questionada sobre as vantagens de ter uma vida independente, ela brinca: "Em mim ninguém manda, não gosto de palpite". A saúde é garantida por exercícios, uma alimentação frugal e panaceias à base de ervas medicinais que ela mesmo cultiva. "Sou muito saudável e adoro a minha vida. Não sou aquele tipo de idoso que fica andando para cima e para baixo com radiografias embaixo do braço", diverte-se.(C.A.)

mockup