Nas terapias alternativas de saúde, a ''cura'' pode estar no indivíduo, no equilíbrio de energias, na natureza ou no próprio corpo. No caso da auto-hemoterapia, essa ajuda se encontra no sangue.
A técnica vem ganhando adeptos em todo o país, principalmente depois que começou a circular de mãos em mãos um DVD em que o médico Luiz Moura, do Rio de Janeiro, explica o procedimento. Em Londrina, a prática também está se expandindo.
A auto-hemoterapia consiste na retirada de um determinado volume de sangue da veia, em torno de 5ml a 20 ml, que é imediatamente aplicado no próprio paciente, só que no músculo (braço ou nádega).
Segundo o clínico geral Alcino do Prado Vieira, especialista em acupuntura, aplicado no músculo o sangue faz aumentar a produção de macrófagos, células de defesa do organismo, que no sangue têm o nome de monócitos. Essas células, segundo o médico, normalmente estão presentes em uma porcentagem de 5% no nosso corpo, e a técnica aumentaria isso para 22%, em um prazo de 10 a 13 horas. Esse aumento das células de defesa perduraria por sete dias.
Em maior número, os macrófagos, segundo o médico, funcionam fazendo uma ''varredura'' de toxinas, bactérias, agrotóxicos e células mortas e nocivas no organismo. ''Eles identificam células mutantes, processos inflamatórios, radicais livres, tudo que é nocivo, e fazem uma limpeza, ajudando a eliminar as toxinas'', explica o médico. Tudo isso ajudaria a tratar doenças que tem origem em processos inflamatórios, infecciosos ou irritativos, como alergias, artrites, acne, esclerose múltipla, psoríase.
Com a argumentação de que a auto-hemoterapia aumenta a imunidade do organismo, explica Vieira, também há pacientes que utilizam a técnica de forma preventiva, para evitar doenças. Ele ressalta ainda que do ponto de vista da medicina chinesa, a auto-hemoterapia estimula a ''Weiqi'' (pronuncia-se uei-tchi), energia de defesa do organismo.
Vieira conta que a técnica surgiu em 1912, com o médico francês Bavout, que teria registrado ação benéfica da auto-hemoterapia no tratamento de enfermidades infecciosas e urticárias. No Brasil, a técnica vem sendo praticada desde 1940, com os médicos Jesse Teixeira, Luiz Moura, que usou a auto-hemoterapia em pacientes pré-cirúrgicos para reduzir casos de infecção hospitalar, e Ricardo Veronesi.
Vieira ressalta que apesar de ser usada como terapia complementar e não ter efeitos colaterais, para usar a auto-hemoterapia é preciso um diagnóstico médico. Além disso, explica, quem usa a técnica não deve interromper outros tratamentos médicos que esteja fazendo. ''Ela não vai curar a diabetes, por exemplo, mas ajuda a estabilizá-la. E como melhora a microcirculação, também pode ajudar a prevenir derrames, por exemplo, ou a controlar o colesterol'', afirma.
Um dos inconvenientes da auto-hemoterapia pode ser, para quem não gosta de injeção, a picada da agulha toda semana, já que o efeito da técnica só dura sete dias. ''Mas não dói, é como tomar uma injeção'', assegura o médico. O número de sessões, a quantidade de sangue utilizado, e o tempo de tratamento vai depender da patologia, segundo Vieira, que alerta para outra questão: ''O procedimento deve ser feito com todas as condições de assepsia''.

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