A Cidade do México tenta métodos heterodoxos para acabar com a poluição
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quinta-feira, 11 de novembro de 1999
Por Mark Stevenson 
Cidade do México (AE-AP) - Tendo desistido de moinhos de vento gigantes e da idéia de abrir passagem para a poluição urbana nas montanhas ao redor, o governo da Cidade do México está preparando planos menos grandiosos, mas, dizem alguns, igualmente improváveis, para diminuir a poluição do ar.
Cubra o telhado com terra leve e plante um jardim em cima de sua casa, dizem as autoridades. Eles também deram aprovação para que uma empresa privada instalasse milhares de filtros-caixas, de 90 centímetros de altura, em movimentadas esquinas da cidade.
Alguns ambientalistas encaram os novos planos como ineficientes, até mesmo como piadas.
Mas com os projetos para a grande passagem para o ar puro, um trem elevado, um novo cinturão para melhorar o congestionamento do trânsito, atolados por falta de fundos e pela oposição local, a cidade pode ter poucas escolhas a não ser tentar algo novo.
Na tarde do dia 15 de outubro, os níveis de poluição chegaram a quase três vezes os limites aceitáveis, um índice que o governo considera "muito perigoso".
Os residentes voltaram para casa naquele dia sob uma neblina cinza, muitos com os olhos avermelhados, gargantas queimando e dores de cabeça. Automaticamente, a proibição de um dia para a condução de veículos antigos foi instituída.
Ninguém está subestimando o problema da poluição na segunda maior cidade do mundo.
"Nós não vamos limpar toda a atmosfera. Ninguém será capaz de fazer isso", diz Lino Munoz, um arquiteto da Cidade do México que ajudou a fundar a companhia de filtros de ar Grupo Respira.
Mas jardins no telhado? A idéia já é largamente implementada na Alemanha e seus proponentes afirmam que poderia barrar a "segunda geração" de poluentes: partículas que assentam-se, mas voltam para a atmosfera apenas com uma leve brisa
As autoridades estão encorajando as pessoas a cobrirem seus telhados com terra leve e os nativos cactos da região.
O engenheiro Ruben Lazos coloca-se orgulhosamente no topo do centro de cuidados diários próximo a um movimentado cruzamento da Cidade do México, onde ele plantou milhares de plantas nativas.
"Um dos grandes desafios é mudar o modo como as pessoas tradicionalmente olham para os seus telhados. Para elas é apenas um lugar para pendurar roupas para secar e colocar coisas que eles não usam mais", diz Lazos .
O telhado levemente inclinado do prédio foi coberto com várias camadas de feltro, fibra de coco e cascalho vulcânico que permite a passagem de luz. As plantas estão começando a aparecer através da "terra" que segura as partículas. Um sistema de irrigação empurra a poluição para o ralo e as plantas produzem oxigênio.
Mais muitos ativistas da cidade não estão convencidos.
"O projeto de jardins no telhado não tem um objetivo claro"
diz Luis Guerra, um químico da Cidade do México que tem seu próprio projeto para monitorar o ar da cidade. Montar um jardim, incluindo a impermeabilização do telhado e o sistema de irrigação, custa US$ 35 o metro quadrado, um preço que poucos podem bancar.
Guerra também argumenta que os filtros promovem "apenas uma melhora momentânea num raio de cinco" metros, um quarto da área prometida pelos promotores do dispositivo.
Munoz defende seus filtros, dizendo que eles limpam o ar no nível da rua, onde é mais importante. Ele espera pagar por eles vendendo espaço para anúncios nas caixas.
O engenheiro Luis Trevino, parceiro de Munoz, diz que encontra uma grande quantidade de poluição quando os filtros são limpos a cada quatro meses. Um deles continha 8 quilos de sujeira que estava no ar, incluindo perigosos metais pesados como chumbo e cádmio, e até mesmo traços de pesticidas há muito tempo proibidos no México.
Condições atmosféricas favoráveis ajudaram a limpeza do ar em alguns dos primeiros nove meses de 1999. Enquanto os níveis de poluição excediam em duas vezes os limites aceitáveis uma vez a cada seis dias (em média) em 1998, este fato tem ocorrido uma vez a cada dez dias em 1999.
Mas com a chegada do inverno, quando o ar estagnado tradicionalmente gera a pior estação de poluição, a cidade não pode depender apenas de ventos fortes ou chuvas pesadas para limpar seu ar. Guerra diz que a solução tem de ser grande: a compra de novos ônibus municipais movidos a gás e cujo custo total é de US$ 2 bilhões.


