Cidade do México (AE-REUTERS) - A campanha presidencial no México, que antigamente era mais rápida do que apontar um dedo, se tornou como o universo. Ninguém tem realmente certeza de onde ela começa ou termina.
Enfatizando o rápido compasso da mudança no sistema político, as esperanças presidenciais começaram a aparecer mais cedo e um números maiores do que anteriormente. Pela primeira vez os eleitores mexicanos estão experimentando o que seus vizinhos nos Estados Unidos vêm aguentando por anos: a maratona da campanha presidencial. No México faltam 16 meses para as eleições de julho do ano 2000 e os políticos com pretensões à faixa presidencial estão desafiando uns aos outros em debates e propagandas veiculadas na televisão, e geralmente tentando abrir a cotoveladas seu caminho para o topo. "É maravilhoso. Nós amamos isso", disse Jeffrey Weldon, um professor de ciências políticas na Universidade ITAM, da Cidade do México. "As campanhas eram muito compactas para serem justas. Campanhas muito curtas tendem a ajudar os encarregados dos governo porque eles são conhecidos e a oposição não é. Apenas dar às pessoas a chance de conhecer os candidatos e saber quem eles são é uma coisa boa".
O rompimento com o passado não poderia ser mais repentino. O México tem sido governado pelo Partido Revolucionário Institucional (PRI) pelos últimos 70 anos, o mais longo governo do gênero no mundo. Tradicionalmente, o presidente escolheria um candidato do PRI como seu sucessor, num movimento conhecido como "dedazo" ou o grande apontar de dedo. Isso geralmente acontecia em outubro ou novembro antes das eleições de julho a cada seis anos, nas quais o PRI inevitavelmente ganhava. Os partidos de oposição nunca faziam algum movimento até que o candidato do PRI fosse revelado.
Mas quando assumiu o cargo em dezembro de 1994, o presidente Ernesto Zedillo prometeu mudar o velho sistema de seleção do PRI em favor de algo mais democrático, e os oficiais do partido estão agora aprendendo através de uma eleição primária. Zedillo também modernizou o sistema político guiando reformas que deram aos partidos de oposição uma chance mais justa de vencer. Então um candidato de oposição sacudiu o status quo ainda mais anunciando sua intenção de fazer campanha por dois anos antes das eleições. Vicente Fox, do Partido de Ação Nacional (PAN), governador do estado central de Guanajuato, desde então subiu nas pesquisas de opinião pública, arrastando outros para a corrida "porque eles estão vendo o trem passar", disse Weldon.
Dois governadores do PRI - um atual e outro cujo mandato acaba de terminar - recentemente entraram na competição. Manuel Barlett, o ex-governador do estado central de Puebla, aparece em propagandas na TV sacudindo duas mãos apertadas e prometendo um governo "com mãos firmes". O governador do estado de Tabasco, no sudeste, Roberto Madrazo, diz em seus comerciais "Quem diz que não pode ser feito?". Dois homens do gabinete de Zedillo - o ministro do Interior Francisco
Labastida e o ministro de Desenvolvimento Social Esteban Moctezuma - também têm aspirações e têm chamado a atenção nos últimos meses.
Na esquerda, o Partido da Revolução Democrática (PRD) foi pego com a guarda baixa. O homem forte do partido e o prefeito da Cidade do México, Cuauhtemoc Cardenas, que era candidato, caiu nas pesquisas atrás de Fox. Então um rival no PRD, o congressista Porfirio Munoz Ledo, lançou sua campanha presidencial, forçando um relutante Cardenas a jogar o chapéu duas semanas atrás. "Para mim é uma coisa boa, e para a maioria da população também", disse Vicente Licona, que administra a firma de pesquisas Indemerc. "As pessoas querem saber mais. Elas normalmente não conhecem os candidatos até um deles se tornar presidente".
É claro que os pesquisadores e os especialistas dão boas-vindas à mudança. Mas e quanto às pessoas? Ainda tem que ser realizada uma pesquisa científica sobre o assunto, mas os mexicanos nas vendas de tacos e nos engraxadores de sapatos parecem ser a favor. "Para mim está bem os candidatos começarem agora. Desta maneira nós podemos conhecê-los", disse Miguel Garcia, de 44 anos, um vendedor de jornais, dando uma lista de concorrentes. "Prefiro ver os candidatos e ter uma idéia sobre em quem votar", adicionou Eusebio Gonzalez, de 46 anos, um pedreiro. "É melhor vê-los revelados do que não vê-los até o último minuto".

mockup