A cada três ataques com explosivos, dois ocorrem em pequenas cidades
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sexta-feira, 09 de agosto de 2013
Lúcio Flávio Moura<br>Reportagem Local 
Londrina Das 83 ações criminosas que usaram explosivos nas agências bancárias em 2013 no Paraná, 53 foram registradas em municípios com menos de 20 mil habitantes e com estrutura policial modesta. A participação das localidades pouco populosas, de acordo com levantamento feito pela reportagem da FOLHA com base no acompanhamento estatístico do Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região, foi de 63,8%, quase dois terços do total de ataques.
Em oito municípios (ver lista no mapa), os ataques com explosivos aconteceram mais de uma vez. Em Piên (Sul), Munhoz de Mello e Santa Fé, no Noroeste, e Bom Sucesso (Região Metropolitano de Maringá), a detonação de explosivos nas agências se tornou quase uma rotina e se repetiu três vezes em um período de menos de oito meses.
Ao todo, conforme o levantamento, são 41 localidades (38 sedes de município e três distritos rurais) que já se deparam com o problema. As regiões com mais pequenas localidades atacadas são o Noroeste (15) e o Oeste (9). O Norte registrou oito ações com com explosivos. A área de menor incidência é o Sudoeste, com um único caso, em Renascença.
Nos últimos dias, datas comuns para pagamento de salários, as quadrilhas continuaram desafiando a forças de segurança do Estado. Na madrugada de ontem, as duas únicas agências bancárias de Munhoz de Mello, município na Região Metropolitana de Maringá de apenas 3.713 moradores, foram atacadas por um bando encapuzado.
Em cada uma das agências, um terminal foi violado. De acordo com imagens captadas por câmeras de segurança da Prefeitura, cinco homens participaram dos ataques. Quatro deles invadiram as duas agências e instalaram supostamente cargas de dinamite, enquanto um outro integrante da quadrilha, armado, fazia a cobertura. As câmeras registraram que uma das explosões ocorreu quando o bando já estava dentro da agência, mas não há informações sobre feridos no episódio.
Segundo a polícia, eles fugiram em dois carros, um Astra e Fusion, furtados anteontem em cidades da região. Em fevereiro, a agência do Bradesco (a outra é do Sicredi) já havia sido invadida e explodida por ladrões.
Na quinta-feira, uma quadrilha atacou a agência do Banco do Brasil em Alvorada do Sul (Região Metropolitana de Londrina) e explodiu dois terminais de autoatendimento. Algumas semanas antes, a mesma agência teve uma máquina violada por uma serra-copo. Em julho de 2011, havia acontecido outro ataque com explosivos. A sucessão de crimes deste gênero está provocando uma sensação de insegurança na cidade, como contou moradores à reportagem da FOLHA anteontem.
"Estamos vivendo uma situação absurda. A falta de segurança nas pequenas cidades é um convite às quadrilhas. O governo tem que reforçar o policiamento nestas localidades porque a situação está fora de controle e pode se tornar bem mais grave", afirmou João Soares, presidente da Federação dos Vigilantes e Prestadores de Serviço do Estado do Paraná (Fetravispp). Soares disse que entre os trabalhadores do setor o maior temor é que os bancos respondam aos ataques com a colocação de vigilantes também nas agências de menor porte, o que hoje não ocorre. "Não vai resolver o problema, mas pode criar outro, que é aumentar o número de vítimas nas explosões", declarou. O sindicalista acredita que, além de um reforço no policiamento das pequenas cidades, uma das medidas mais urgentes seria um aperto na fiscalização das pedreiras, locais onde mais se armazena materiais explosivos.
A assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) informou que o policiamento nas pequenas cidades deve ser melhorado com a implementação do Projeto 300, que pretende levar um efetivo mínimo de cinco policiais para os 300 municípios menos populosos do Estado.
De acordo com a Sesp, a meta é cumprir a promessa até o final do ano que vem, quando os atuais concursandos da Polícia Militar já estarão aprovados e treinados para assumir os postos. Este ano, o governo do Estado comemorou a formação de cerca de 1,9 mil policiais, que ainda estão passando por treinamento.
A reportagem tentou contato com o delegado da Divisão Policial do Interior (DPI), Rogério Antonio Lopes, mas ele não foi localizado. A assessoria da DPI adiantou, porém, que a Polícia Civil está atenta à situação de insegurança nos pequenos municípios e que já foram feitas diversas prisões de integrantes de quadrilhas que usam explosivos, que várias frentes de investigação estão abertas.


