Paris, 02 (AE) - Em todas as capitais européias, a mesma dor de cabeça: o que fazer com a áustria? O que fazer com Jorg Haider, esse populista de extrema direita, cujo partido (FPO) corre o risco de constituir o governo em aliança com o partido da direita respeitável, o partido conservador austríaco de Wolfgang Schussel (OVP)?
Conhecemos as razões das dificuldades dos outros europeus (a áustria entrou, de fato, na União Européia de Bruxelas há cinco anos). Jorg Haider mantém discursos provocativos, entre xenofobia e racismo, presta duvidosas homenagens ao nazismo etc.
No entanto, a União Européia não sabe como intervir contra Haider, que atingiu a soleira do poder por meios democráticos (eleições regulares).
A Comissão de Bruxelas está, então, resignada; ela não pode fazer nada, para não correr o risco de intervir nos assuntos de um terceiro país. A única réplica pensada, pelos europeus e pelos Estados Unidos: reduzir as relações bilaterais com a áustria.
Essa questão vai ser retomada nos próximos dias. Enquanto isso não acontece, eis algumas outras observações que não tratam desse problema jurídico-político: Haider reuniu, em outubro, 27% dos votos. É muita coisa. Mas, em cada país do mundo, há uma minoria de "fascistas" (na França, às vezes, Le Pen tem sucessos comparáveis a esse). É preciso resignar-se com isso. Sobretudo porque, até aqui, sabíamos que nenhum dos partidos clássicos jamais ia se associar com essa "peste". Mas, é justamente aqui que a situação austríaca é inédita e ameaçadora: pela primeira vez, a direita moderada (os conservadores de Wolfgang Schussel) deixa de condenar a extrema direita e aceita colaborar com ela de maneira que chegue ao poder.
Aí está a verdadeira inovação: de um lado, a direita bem educada diz que os fascistas são recomendáveis. Por outro lado, se em outros Estados da Europa os "conservadores" seguirem o mesmo caminho, todas as regras do jogo político tal como ele funciona na Europa há cinquenta anos seriam lançadas por terra.
Há muito tempo, consideramos que desvios incontroláveis do processo, tais como existiram antes da guerra estavam "fora de questão" atualmente, por dois motivos: em primeiro lugar, o horror ao Holocausto e aos regimes de força tinha sido tal, que a Europa estava "imunizada" contra esses vírus. Em seguida, as aventuras italianas e, sobretudo, alemãs de antes da guerra eram explicadas pelo caos, pela miséria, pelo cerco etc. Mas, na Europa atual, próspera, unida por Bruxelas, democrática e apaixonada pelos direitos humanos, esses sobressaltos não podem acontecer.
E eis a resposta: a áustria é um dos países mais prósperos da Europa, pacífico, sem ameaças, querido pela natureza, adorado pelo mundo inteiro graças a seus esquiadores, suas calças de couro, suas canções relativas às montanhas e às belas bochechas de suas jovens. Ora, é nessa "Europa superlativa" que se dá o choque abominável.
Portanto, a conclusão é que, se a áustria continuar essa subida, nada impede que outros países a imitem. Por exemplo, os países do Leste, ainda traumatizados pela tirania comunista, pobres, mal conduzidos, corrompidos. Mas também, dizem algumas pessoas, outros países ricos e, aparentemente, muito democráticos não são isentos desses tombos.
Enfatizou-se muito, hoje pela manhã, que se todos os partidos de direita da Europa (salvo o de Le Pen na França) manifestam sua inquietação, há um enorme partido de direita de um enorme país que não parece totalmente envolvido: o CDU da Alemanha (democrata-cristãos), que critica os europeus por "sua intervenção inacreditável e sem precedentes nos assuntos internos de um Estado de direito democrático".
É verdade que o CDU tem um de seus ramos, o CSU da Baviera, constantemente tentado por temas populistas. Também é verdade que esse grande partido honrável como o CDU está reduzido e desesperado desde a descoberta de que seu grande homem, Helmut Hohl, recebeu propinas gigantescas.