A angústia de quem espera
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segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Silvana Leão <br> <br> Reportagem Local 
Apesar da melhora no ritmo de realização de transplantes no Estado, a espera por quem precisa de um novo órgão é longa e angustiante. Aos 35 anos, o bancário e professor Flávio Luis Cruz é um dos milhares de renais crônicos que vivem este difícil período. Depois de muitos exames, foi constatado que um de seus irmãos e uma prima estão aptos a lhe doar um rim, mas agora ele depende da disponibilidade da equipe médica para realizar o transplante.
A luta do bancário contra a insuficiência renal começou há quase quatro anos, quando ele descobriu, por acaso, que sempre viveu com apenas um rim e que, na época, o órgão já estava com 60% de sua capacidade comprometida. Há um ano e meio Cruz enfrenta a rotina de sessões de hemodiálise três vezes por semana. ''Tudo hoje tem que ser adiado. A vida da gente não acaba, mas tem que ser adaptada. Passamos a viver em função dos horários das sessões'', diz o bancário, que nos últimos anos teve que abrir mão, por exemplo, das viagens em família.
O único trajeto constante na rotina de Cruz são os 70 quilômetros que ligam Alvorada do Sul, onde mora, a Londrina, onde faz o tratamento. Todas as segundas, quartas e sextas-feiras, ele sai mais cedo do trabalho, pega a estrada e passa a tarde submetendo-se ao procedimento de filtragem do sangue em uma clínica conveniada ao seu plano de saúde.
Pai de duas crianças, de nove e sete anos, ele tem no transplante de rim a esperança de retomar uma vida de maior autonomia. ''Os exames estão prontos desde setembro. Por mim e por meu irmão (que será o doador) a cirurgia poderia ser feita a qualquer momento, mas dependemos dos médicos. Gostaria muito que fosse durante as férias escolares, mas não dá para saber'', diz, resignado. O temor de Cruz é que o procedimento seja feito apenas após o carnaval.
A FOLHA entrou em contato com a clínica Urolit - Hospital do Rim, à qual estão ligados os seis urologistas que integram as equipes responsáveis por todos os transplantes de rim realizados em Londrina, para obter informações sobre o agendamento de cirurgias, mas não obteve retorno.
Segundo dados da Comissão de Procura de Órgãos e Tecidos (Copot) / Regional Londrina, atualmente há uma fila de 471 pessoas aguardando transplante de rim, incluindo os pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em todo o ano de 2010 foram feitos 26 transplantes do órgão - 16 de doadores vivos e 10 de doadores com morte encefálica. Este ano, até 30 de setembro, foram realizados 20 transplantes de rim em Londrina.


