A ameaça está no Centro
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Vítor Ogawa <br> Reportagem Local 
Londrina - Mototaxistas de Londrina deixam de atender chamados na Região Central por medo de assalto. De acordo com alguns trabalhadores entrevistados pela FOLHA, muitas corridas que começam no Centro da cidade acabaram em assaltos, normalmente em bairros distantes.
''Dois casos de mototaxistas que foram assaltados recentemente pegaram seus passageiros no Centro de Londrina, um na Avenida Rio de Janeiro e outro na Rua João Cândido, este último foi morto a facadas e encontrado em Tamarana com uma facada nas costas'', relata um mototaxista entrevistado pela reportagem, que pediu para não ser identificado.
Ele diz que a central da qual é proprietário não possui rádio, apenas telefones celulares, o que impede que se faça a comunicação por códigos como as outras centrais realizam. Para contornar essa falta de comunicação, ele relata que houve um episódio em que desconfiou do passageiro e fez de conta que iria abastecer a moto em um posto de gasolina e acabou deixando o passageiro por lá.
Segundo ele, as ações dos bandidos acontecem com mais frequência nos fins de semana. ''Eles aproveitam o movimento da madrugada nos bares e restaurantes para não levantar suspeitas'', conta. O mototaxista diz que em outros casos, eles ligam de telefones públicos e esperam em esquinas e a única saída é passar reto por quem chamou apenas para analisar se a pessoa possui alguma atitude suspeita ou não. ''Às vezes pela aparência dá para identificar se a pessoa possui más intenções'', afirma.
''Normalmente eles agem sozinhos, mas há casos em que atuam em duplas'', conta outro mototaxista que trabalha na Região Central. Ele diz que já soube de um caso de uma pessoa que estava acompanhada por um motoqueiro. O mototaxista acredita que muitos desses bandidos são viciados e assaltam os mototaxistas para conseguir o dinheiro para comprar drogas'', afirma.
Outro mototaxista, que trabalha na Zona Leste, afirma que seus colegas que atuam na Avenida Leste-Oeste passam por mais riscos do que aqueles que trabalham nos bairros. ''Acho que no Centro esses assaltos acontecem por circular gente de todos os lugares, enquanto nos bairros as pessoas são mais conhecidas e fica fácil dizer quem é de fora'', afirma. Ele diz que não tem como saber qual a intenção da pessoa quando o passageiro sobe em sua moto. ''Se for uma pessoa vestida de maneira duvidosa a gente fica esperto, mas é difícil evitar uma situação de assalto'', diz.
Segundo uma funcionária de uma central de radiotáxi, todas as regiões de Londrina oferecem riscos, mas se fosse para evitar um bairro devido à periculosidade, esse bairro seria o Centro. ''É lá que acontece o maior número de incidentes'', afirma a funcionária. Ela diz que os taxistas tomam alguns cuidados como evitar atender os pedidos originados de chamadas de telefones públicos ou de celulares depois de determinados horários.
Um dos taxistas ouvidos pela reportagem admitiu que avalia os passageiros pelo modo que se vestem e também avalia se estão acompanhados ou não. ''Casais geralmente não oferecem esse tipo de risco, mas mesmo assim a gente avalia quem a gente vai deixar entrar no carro'', conta. O taxista afirma que dependendo do destino para o qual a pessoa quer que seja feita a corrida, também não costuma pegar.


