Tefé, AM, 5 (AE) - Durante as comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente, o presidente Fernando Henrique Cardoso fez um alerta às entidades internacionais, de que a Amazônia "será sempre brasileira". O discurso do presidente foi feito em um flutuante, no rio Japurá, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, que será administrada por um instituto, a primeira organização social a gerenciar uma unidade de conservação.
"Não quero dizer, sobretudo àqueles que estão no exterior, que nós não necessitamos de mais pesquisas científicas
mais recursos e mais consciência de preservação com idéia de desenvolvimento auto-sustentável", afirmou o presidente. Mas, segundo ele, não haverá estudo científico de desenvolvimento sustentável se não houver condições de continuidade e, além disso, os recursos, se forem tópicos, "ao invés de terem resolvido o problema ambiental, terão criados na frustação ambiental"."Isso vale para as instituições internacionais que muitas vezes se precipitam em querer resolver tudo de repente, sem perceber que tem um processo de continuidade", acrescentou o presidente, ressaltando: "Falando para o Brasil e exterior que a Amazônia é nossa, é brasileira. Esta parte da Amazônia é e será sempre brasileira, mas cada vez mais de brasileiros conscientes da importância da Amazônia, brasileiros abertos a ampliar o conhecimento sobre a região, de preservar o ser humano e de dar melhor condições de vida à população locais e permitir que haja continuidade".
Durante as comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente, Fernando Henrique assinou uma portaria tornando a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá administrada por uma organização social. O Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, será uma alternativa nova de gerenciamento para as unidades de conservação no Brasil. "Por sofrer influência da bacia do Solimões, a reserva do Mamirauá é uma área de altíssima biodiversidade e é a mais inovadora experiência brasileira de gestão em unidade de conservação", afirma o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho. A reserva Mamirauá, criada em 1990, faz parte do maior bloco de florestas tropicais contíguas e oficialmente protegidas em todo o mundo. Com 1,124 milhão de hectares, é a primeira do País a ter como meta o uso sustentado dos recursos naturais pela população local.
Apesar de ser povoada por mais de cinco mil pessoas, há uma harmonia entre a preservação e uso dos recursos naturais. "Hoje, por exemplo, existem projetos relacionados à pesca, que também se tornou uma fonte de renda para acabar com a pobreza, mas também é feita de forma racional e alternado", diz o superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Hamilton Casara. Na área vivem espécies ameaçadas de extinção, como o peixe-boi, o jacaré-açu - uma das maiores espécies do País - lontras, gavião real, onças, ariranhas, entre outros. "A intenção é criar outros corredores florestais como Maminauá, também administrados da mesma forma", diz o coordenador geral do projeto, Márcio Aires. Segundo ele, o governo deverá considerar corredores ecológicos, mais cinco áreas na Amazônia e três na Mata Atlântica.

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