A Aliança contra o peronismo
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sexta-feira, 22 de outubro de 1999
Por ARIEL PALACIOS, Especial para a AGÊNCIA ESTADO 
Buenos Aires, 23 (AE) - Na madrugada do dia 2 de agosto de 1997, a Aliança UCR-Frepaso foi anunciada repentinamente, pegando de surpresa o próprio governo de Carlos Menem, que havia visto como nos meses anteriores tinham sido frustradas as negociações entre o frepasista Carlos Chacho álvarez e o "radical" Raúl Alfonsín (da União Cívica Radical-UCR).
A gênese da Aliança foi o denominado "Grupo dos Cinco", que, além de incluir álvarez e Alfonsín, teve os radicais Rodolfo Terragno (então presidente da UCR) e Fernando de la Rúa, além da frepasista Graciela Fernández Meijide. Os dois partidos estipularam a realização de uma convenção para a definição do candidato à presidencia do país, que ocorreria dois anos depois.
Em dezembro do ano passado, em uma convenção, foi escolhido como candidato De la Rúa. Meijide, que teria de ser a vice, foi designada candidata ao governo da Província de Buenos Aires. A vaga de vice foi ocupada por álvarez, arquiteto da coalizão, ao lado de Alfonsín. A Aliança pretende imitar a européia Terceira Via e tem como inspiradores Massimo DAlema, Tony Blair e Leonel Jospin.
O voto secreto e o sufrágio universal foram as bandeiras da UCR, criada em 1892. Purista, a UCR recusou-se a participar de eleições que considerava "sujas" até ser criada a Lei Sánez Peña, que em 1916 permitiu eleições livres.
Nesse mesmo ano, a UCR venceu as eleições, instalando no poder Hipólito Yrigoyen. Em 1922, o partido venceu mais uma vez, com Marcelo T. de Alvear, que foi sucedido em 1928 por Yrigoyen. No entanto, nesse segundo governo, a democracia argentina foi interrompida pela primeira vez no século por um golpe militar: Yrigoyen foi derrubado por um grupo de cadetes da Escola Militar sob o comando do general Félix Uriburu.
A partir daí o partido apoiou diversos golpes militares, ou foi vítima deles, até que em 1946 foi derrotado nas urnas pelo recém- criado Partido Justicialista. Mais uma vez derrotada em 1951, a UCR buscou apoio militar para derrubar o presidente Perón, conseguindo-o em 1955.
Nesse momento, o partido dividiu-se: de um lado surgiu a União Cívica Radical Intransigente; do outro, a União Cívica Radical do Povo, que conspiraram uma contra a outra nos anos 50 e 60. Assim, em 1962 foram derrubados o presidente "intransigente" Arturo Frondizi e em 1966 o radical (do Povo), Arturo Illía.
Em 1973, a UCR (do Povo) foi derrotada pelo peronismo nas duas eleições presidenciais que houve nesse ano. Durante a ditadura (1976-83), parte de seus dirigentes se opôs ao regime e parte manteve um silencioso colaboracionismo. Já sem o "do Povo", em 1983 a UCR venceu com Alfonsín. Em 1989, o candidato radical Eduardo Angeloz foi derrotado pelo peronista Menem. Em 1995, pela primeira vez na história, a UCR caiu do segundo para o terceiro lugar, obtendo 17,3% dos votos.
O herói emblemático do radicalismo é Hipólito "El Peludo" Yrigoyen. Os peronistas costumam denominar os radicais de "gorilas", em alusão a seu vínculo no passado com os setores das Forças Armadas que derrubaram Perón.


