94 presos fogem de delegacia em Bangu, no Rio
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segunda-feira, 06 de setembro de 1999
Por Roberta Pennafort, especial para a AE 
Rio, 07 (AE) - Noventa e quatro presos fugiram da 34ª Delegacia Policial, em Bangu (zona oeste) no final da noite de ontem (06), uma das maiores fugas já registradas no Rio. Um dos dois detentos responsáveis pela faxina das celas, conhecidos como "faxinas", teve acesso às chaves das celas e libertou os companheiros. Segundo a polícia, é provável que tenha havido conivência de carcereiros, que estão presos.
O governador Anthony Garotinho avisou que, a partir de amanhã (08), se houver fuga de presos em alguma delegacia, o respectivo delegado será exonerado, como aconteceu com o delegado da 34ª DP, Carlos Heitor Sanchez. Até o fim da tarde de hoje treze detentos já haviam sido recapturados.
Anderson Pierre, um dos "faxinas" (presos de confiança que prestam serviços nas dependências da delegacia), está sendo apontado pela polícia como o líder da fuga. Pierre era responsável pela limpeza do andar de cima da delegacia, onde há cinco celas. Por volta das 21h30, ele teria libertado os presos se aproveitando da ausência dos carcereiros de plantão, os detetives Aluísio Magno da Silva e Maurício de Sousa. Por isso eles foram presos em flagrante, por determinação do secretário de Segurança, Josias Quintal.
Pierre fugiu, mas o outro "faxina", cujo nome não foi divulgado, continuou no xadrez. Os presos usaram um falso revólver feito de sabão revestido de papel preto e uma escova de dentes, imitando uma pistola, que serviu para intimidar o outro "faxina". Após a libertação, o grupo pulou um muro de três metros de altura, que dá para a Rua Sul América, atrás da delegacia.
O delegado-substituto da 34ª DP, Carlos Heitor Sanchez, explicou que, na hora da fuga, os carcereiros não estavam em seus postos. Um deles seria da corporação há apenas dois meses. "Eles foram negligentes sim; não se pode deixar chaves de celas com "faxinas", uma vez que eles são presos como os outros", afirmou Sanchez. Antes de ser detidos, os dois alegaram estar no banheiro no momento da libertação. O chefe da carceragem, Rogério Machado, também responderá a inquérito por facilitação de fuga. Machado se defende alegando que seu horário de trabalho era até as 18h30, e depois disso a responsabilidade seria dos carcereiros plantonistas. A delegada que chefiava a delegacia no momento, Juliana Braga, só percebeu que havia algo estranho ocorrendo quando todos já haviam fugido. Ela também foi afastada.
O secretário estadual de Segurança, coronel Josias Quintal, esteve no local hoje pela manhã para vistoriar as celas e disse que não houve falha no esquema de segurança da delegacia
mas falha humana. "Obviamente houve conivência do pessoal da carceragem; esse revólver falso não engana ninguém", afirmou Quintal. O secretário disse que o episódio serviu para acelerar o processo de transferência dos presos das delegacias concentradoras, como a de Bangu e a do Leblon - onde houve uma rebelião há quinze dias -, para dependências do Departamento Estadual do Sistema Penitenciário (Desipe). Quintal descartou a hipótese de que a fuga teria sido motivada por superlotação porque, de acordo com ele, a capacidade total é de até 200 presos e só havia 168 no local.
Durante a noite de segunda-feira e hoje policiais do 14º Batalhão de Polícia Militar, da 34ª DP e de outros órgãos da polícia procuraram foragidos por toda a zona oeste. Os foragidos seriam estupradores e traficantes dos morros dos bairros adjacentes. Para dar mais segurança à população da área, o policiamento foi reforçado.


