Passado o período de festas de fim de ano, os presos que tiveram a chance de visitar as famílias já voltaram para as quatro unidades do Estado administradas pelo Depen (Departamento Penitenciário). Dos 1.952 detentos que tiveram o direito ao benefício, 94% retornaram para o sistema prisional. No ano passado, o índice de presos que não voltaram às unidades foi menor, 4,35%. Em Londrina, 270 prisioneiros receberam a autorização e apenas 12 não voltaram, número que representa 4,4% - uma média inferior ao número total do Estado. Dois já foram presos depois de cometerem novos crimes em cidades do Norte Pioneiro. "Este número está dentro dos padrões que trabalhamos normalmente. Mantemos esse processo como forma para o sistema reintegrar essas pessoas na sociedade", explicou Maurício José Sanchez, diretor do Creslon (Centro de Reintegração Social de Londrina).

As saídas temporárias são concedidas apenas aos detentos do regime semiaberto que apresentam bom comportamento e que já cumpriram um sexto da pena. As Portarias de Saída Temporária estão fundamentadas na Lei de Execução Penal (n° 7.210/84) e servem para a Justiça aferir o senso de responsabilidade do detento. Os presos que não retornam no prazo determinado passam a ser considerados foragidos e podem regredir de regime. Nesses casos, as unidades comunicam ao juiz responsável para que seja expedido um novo mandado de prisão. "Atualmente, entre os presos que estão sob o cuidado do Creslon, 45% trabalham ou estudam. Muitas dessas pessoas precisam ser inseridas na sociedade. Elas nunca tiveram esta oportunidade. Há casos que alguns presos não voltam porque encontram uma forma de ganhar dinheiro para ajudar à família. Outras simplesmente voltam para o crime", detalhou Sanchez.

O maior número de presos que tiveram o benefício do fim de ano está cumprindo pena na Colônia Penal Agroindustrial do Paraná, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. No total a unidade registrou a saída de 1.342 pessoas. Na Colônia Penal Industrial de Maringá foram 236 e outros 96 no Centro de Regime Semiaberto de Ponta Grossa. "Nosso processo tem sido baseado na educação, trabalho e disciplina. É preciso identificar se a falha foi do indivíduo ou do sistema. É difícil o processo de um presidiário voltar para as ruas. A sociedade não responde bem", avaliou o diretor do Creslon.

Uma discussão atual sobre a manutenção os presídios passa pela busca da autossustentação do sistema, mas para isso os presidiários precisariam trabalhar, o que não é imposto pela lei e depende do interesse individual. Os custos de manutenção de um preso por mês no Paraná gira em torno de R$ 3.500. Outro tema conflitante, apresentado na Assembleia Legislativa em dezembro, é a possibilidade dos serviços prestados nas penitenciárias serem feitos pelo setor privado. Em meio às indefinições, a população carcerária aumenta e os espaços físicos são limitados. A equação fica cada dia mais difícil de equilibrar.

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