90 são libertados em mutirão do Complexo Médico Penal
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quinta-feira, 10 de maio de 2012
Rubens Chueire Jr. <br> <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Mais de 90 entre os 431 condenados por crimes leves e que recebem tratamento mental no Complexo Médico Penal (CMP) do Paraná, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), estão sendo libertados pelo mutirão carcerário promovido Justiça do Paraná, que começou ontem e termina hoje.
O objetivo é soltar detentos que já deveriam ter deixado a prisão, mas que permanecem no local por falta de avaliação. O complexo é o único do Estado que abriga presos com problemas mentais.
Como foram condenados por crimes leves, os presos receberam dos juízes medidas de internação, sem pena fixa. A autorização para sair depende do acompanhamento judicial caso a caso. Conforme a direção do CMP, uma equipe interdisciplinar - com psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais - avalia a situação de todos os presos a cada ano.
Outro mutirão foi realizado em novembro do ano passado. De acordo com Moacir Dalla Costa, juiz titular da 2 Vara de Execuções Penais de Curitiba, na ocasião 54 internos ganharam a liberdade.
Segundo o diretor do CMP, Roberto da Cunha Saraiva, 11 internos conseguiram vagas em casas terapêuticas. Saraiva também destacou que uma comissão formada por integrantes das secretarias do Estado deve se reunir hoje, pela primeira vez, para analisar a situação dos presos que foram abandonados pelas famílias. ''Queremos que as outras secretarias tomem conhecimento da situação. É uma questão de saúde pública, e todos devem estar conscientes'', disse. A comissão também vai estudar maneiras de tentar localizar as famílias dos internos. ''Temos casos em que os parentes mudaram de endereço ou cidade e não nos avisaram para manter contato. Simplesmente sumiram. É triste, mas acontece'', completou o diretor.
Uma mulher de 25 anos, que passou três anos no CMP após ser presa com pequenas quantidades de cocaína e crack, na cidade de Rio Negro (Sul), diz que quer mudar de vida. Ela pretende fazer curso técnico de enfermagem e retomar aos estudos. Na instituição ela passava o tempo trabalhando com limpeza e estudava sempre que podia. Hoje, a mãe dela vai buscá-la em Pinhais. ''Fui presa, era usuária, mas agora quero mudar.''


