90% de reserva de insumos do HU já foi utilizado para manter atendimentos da Covid-19
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sábado, 27 de fevereiro de 2021
Viviani Costa - Grupo Folha 
O HU (Hospital Universitário) de Londrina utiliza a reserva técnica de insumos e de equipamentos para conseguir manter o atendimento de pacientes com suspeita e confirmação de Covid-19. De acordo com a superintendente do hospital, Vivian Feijó, mais de 90% desse material já foi utilizado pelas equipes. O cálculo de insumos a mais é feito para que não faltem itens como monitores, respiradores, desfibriladores, tubos, cateteres e equipamentos de diálise, por exemplo.

A superintendente informou que o hospital já emprestou respiradores de cidades menores para garantir que não haverá falta desses equipamentos essenciais para o atendimento de casos de Covid-19 no HU.
“Otimizamos todos os leitos Covid e não-Covid. Não tem milagre. Onde cabem dez têm ficado 18 pacientes. Invadimos os leitos da rede de urgência. As pessoas não pararam de adoecer. O trauma acontece, o acidente de moto, o atropelamento, o infarto, o AVC e nós estamos aqui para atender. Isso se soma a uma demanda crescente da pandemia”, alertou Feijó.
O hospital permanece superlotado com ocupação de 98% dos leitos de UTI e de 104% dos leitos de enfermaria. Os pacientes a mais são acomodados em leitos adaptados. A superintendente reforçou que há a chance de colapso no sistema de internação hospitalar. “Já revisamos todos os nossos planos, mobilizamos equipes e revisamos estratégias internas”, relatou.
O HU é o segundo maior hospital do Paraná. Nesta semana, a direção solicitou medidas mais restritivas ao município numa tentativa de reduzir a necessidade de leitos. No entanto, para a superintendente, outras ações como a ampliação da vacinação e testagem em massa também são necessárias, além das medidas sanitárias de higienização que devem ser adotadas pela população.
“Já tivemos espera para o procedimento de intubação, tivemos mais de 30 pacientes na Central de Leitos em demanda reprimida para acessar vagas de UTI. Hoje 15 pacientes de UTI aguardavam vaga no Pronto Socorro e três foram intubados na enfermaria”, detalhou.
“A nossa equipe está orientada. Nós vamos atender nem que seja no chão, até o último minuto, mas a gente não quer chegar no momento em que vai ter que escolher quem vai viver e quem vai morrer. Isso é muito sacrificante. Essa equipe aqui está esgotada”, desabafou.
O infectologista intensivista do HU, Marcos Tanita, responsável pelo Núcleo de Epidemiologia, ressaltou que é crescente o número de jovens infectados que chegam ao hospital.
“No início da pandemia, a gente tinha o predomínio de pessoas de mais idade, mas agora a gente está chegando a um equilíbrio. Quase 50% das pessoas têm menos de 60 anos. A maioria das pessoas encaminhadas para o hospital atualmente têm menos de 60 anos”, afirmou. O número de pessoas jovens morrendo é cada vez maior, segundo ele.
A quantidade de jovens em situação mais grave e que necessitam de internação tem chamado a atenção da equipe. “Hoje a gente tem visto pacientes de 25, de 30 anos sem muita comorbidade com um comprometimento de 50% a 70% do pulmão. Isso a gente não via anteriormente”, completou a infectologista Zuleica Tano, responsável pelo Hospital de Retaguarda do HU.
A presença da variante do novo coronavírus não foi confirmada pela direção do hospital. “Mas não podemos fechar os olhos e achar que isso ainda não chegou até nós”, completou a infectologista.


