88% dos mortos em confronto com a polícia são negros
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sábado, 29 de dezembro de 2012
Lúcio Flávio Moura <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - Um levantamento extraoficial da Associação de Desenvolvimento Comunitário Econômico e Social pela Cidadania (Adecesc) mostra que nos 11 primeiros meses do ano em Londrina 88,8% dos mortos em confronto com a polícia são negros. Conforme a pesquisa, feita com base em noticiário de TV, jornais e em visitas aos locais dos confrontos, das 18 vítimas apenas duas eram brancas. ''É um resultado que nos estarrece e demonstra que as políticas públicas de proteção dos jovens e adolescentes pobres falharam. E falharam bem mais em relação aos negros'', afirma o produtor cultural Stanley Kennedy Garcia, presidente da Adecesc, organizador da pesquisa e integrante do Conselho Municipal da Juventude.
Para Garcia, a ação dos policiais na repressão aos crimes é influenciada por questões culturais. ''A polícia é truculenta e discricionária. E quando ela age na repressão, os negros sofrem. A concepção de marginal, tanto na sociedade quanto nas instituições, está associada ao povo negro'', diz o militante, um ex-líder estudantil de 30 anos.
Garcia diz que é fácil entender a predominância dos negros entre as vítimas dos confrontos. ''A miséria, a pobreza, tem cor no Brasil. Caminhando pelos bairros periféricos é fácil perceber que eles sofrem com a ociosidade, com a falta de empregos, com a subescolaridade, com a falta de lazer, de espaços culturais, de esporte, com as dificuldades de inclusão digital'', lembra.
O produtor cultural pretende ampliar e aprofundar as pesquisas da associação sobre o tema. ''Queremos acompanhar um espaço maior de tempo. Vamos acompanhar a violência contra os jovens por cinco anos em Londrina e na região. Queremos produzir uma base de dados para um acompanhamento permanente sobre a questão'', afirmou.
Antes disso, o militante negro vai elaborar um relatório a respeito da ''matança dos jovens negros'' na cidade, que além dos números, vai enumerar casos e histórias de bairros periféricos de Londrina, onde Garcia observou elementos que podem explicar a vitimização dos jovens negros.
''Vamos entregar este relatório para a nova administração municipal até março. Gostaríamos que o novo prefeito analisasse todas as informações que colhemos na comunidade para fazer o trabalho. Queremos que com base nestas informações, a nova equipe de governo elabore políticas públicas capazes de prevenir a matança'', esclareceu.
De acordo ainda com a assessoria, a PM evita ao máximo o uso de arma de fogo e só a utiliza em último caso e para reagir a uma agressão inicial, independentemente das características físicas das pessoas.(Lucio Flávio Cruz)


