81,5% das cidades sofrem com o crack
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de maio de 2012
Rubens Chueire Jr. <br> <br> Equipe da Folha 
Curitiba - O crack é um fator de preocupação na grande maioria dos municípios brasileiros. Segundo o levantamento ''Os Municípios brasileiros como protagonistas no enfrentamento ao crack'', divulgado ontem pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), 81,5% (4.004) dos prefeitos admitiram que enfrentam problemas com o consumo da droga em suas cidades, e que isso acaba prejudicando áreas como a saúde, segurança pública, assistência social e educação. Foram entrevistados 4.907 prefeitos de um total de 5.565 cidades, o equivalente a 88,2%.
No Paraná, 349 dos 399 municípios pesquisados (87,5% do total) relataram que apresentam problemas com a droga. Entre as cidades que não responderam à pesquisa estão Curitiba, Maringá, Pinhais, Pato Branco, Bandeirantes e Cornélio Procópio. Na região Norte, mais especificamente em Londrina, segundo a pesquisa, a gravidade do problema foi considerada de nível médio, assim como em Apucarana, Ibiporã, Arapongas e Cambé. A situação é grave, de acordo com o estudo, nos municípios de Rolândia, Uraí, Sertaneja, Florestópolis e Mandaguari.
De acordo com o presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Gabriel Samaha, o Gabão, o enfrentamento ao crack é um problema de todos - Município, Estado e União. ''A Política Nacional de Combate ao Crack ainda não é efetiva. Na teoria o projeto é muito consistente, mas isto não foi posto em prática. Os municípios contam com apoio do governo estadual ou desenvolvem ações próprias, como aconselhamentos, palestras em escolas ou atendimento às escolas. Mas falta o incentivo do governo federal. Não é somente uma questão de saúde pública, mas também de segurança'', destacou.
Dos prefeitos que admitiram ter problemas com a droga nos municípios, em 28,2% a situação é considerada grave; em 49,6% o problema é de nível médio; e em 22,2%, a questão apresenta um nível baixo de gravidade, conforme os dados. ''A droga não é mais preocupação dos grandes centros, ela já chegou nos pequenos municípios e isto é um alerta. Precisamos de uma política efetiva de combate à droga e até agora não tivemos investimentos concretos'', afirmou o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski.
O estudo ainda apontou que o governo estadual inseriu na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2011 R$ 3,90 milhões para atendimento a usuários de drogas. Em 2010 esse valor era de R$ 2,02 milhões. Foi a maior previsão de investimento em tratamentos para usuários no País, que só foi verificado em outros dois estados (Bahia e São Paulo) e no Distrito Federal. Por outro lado, a LOA do ano passado não previa recursos para o desenvolvimento de política antidrogas no Paraná. O maior investimento foi anunciado pelo Rio Grande do Sul (R$ 10,3 milhões).
De acordo com o levantamento, o programa ''Crack, é possível vencer'', criado pelo governo federal em dezembro de 2011, aplicou até o mês de maio apenas R$ 246 mil. Os recursos prometidos pelo governo, segundo a CNM, seriam de R$ 4 bilhões em três anos. O estudo foi divulgado ontem, em Brasília, durante a abertura da 15 Marcha em Defesa dos Municípios.
A reportagem entrou em contato com a assessoria da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) para comentar o levantamento, mas não obteve retorno.


