80 são presos por fraude em concurso
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segunda-feira, 23 de maio de 2005
Luciana Constatino<br>Folhapress 
Brasília, DF- A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu 80 pessoas nos últimos dois dias acusadas de participar de um esquema de fraude no concurso público para o cargo de agente penitenciário federal na chamada Operação Galileu. Há mais 30 mandados de prisão a serem cumpridos, sendo 12 no DF e o restante em outros Estados.
Entre os presos estão funcionários do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, além de policiais militares. Um dos acusados de liderar o grupo também é do tribunal, mas estava foragido até ontem à tarde. A polícia suspeita ainda que a quadrilha venha atuando em, pelo menos, 12 concursos de várias áreas e Estados nos últimos nove anos. As investigações trabalham com a possibilidade de ramificação em cinco Estados: Piauí, Goiás, Paraná, Rio de Janeiro e Mato Grosso.
A maior parte das provas foi elaborada pelo Cespe (Centro de Seleção e de Promoção de Eventos), ligado à Universidade de Brasília, o que levantou a possibilidade de haver funcionários do órgão ligados ao esquema.
A diretora-geral do Cespe, Romilda Macarini, disse ontem desconhecer qualquer tipo de indício de irregularidade, afirmando que todos os concursos realizados foram ''na mais perfeita legalidade''. ''Sempre trabalhamos em conjunto com a polícia. Ainda mais no caso de um concurso como esse (de agente penitenciário), com cargo de visibilidade e que acaba sendo cobiçado.''
O Ministério da Justiça, que contratou o Cespe para a seleção dos agentes penitenciários, informou hoje que vai aguardar as investigações da Polícia Civil para decidir se anula ou não o concurso. A prova foi realizada normalmente ontem à tarde, segundo Macarini, apesar de vários acusados de envolvimento terem sido presos no local do exame.
Próximo aos colégios de Brasília onde houve a prova, o trânsito chegou a ser fechado anteontem por mais de uma hora.
A data do exame já havia sido adiada em abril por ''questões técnicas'', de acordo com a diretora-geral do Cespe. Em nota, o órgão diz que há cerca de 45 dias tomou conhecimento da possibilidade de fraude no concurso e tomou providências para coibi-la junto com a Polícia Federal.
De acordo com as investigações, que começaram no final do ano passado em outro concurso público, os candidatos pagariam até 20 vezes o valor do cargo pretendido em troca de aprovação.
Pelos cálculos da polícia, a quadrilha poderia receber nessa seleção entre R$ 1,5 milhão e R$ 2,6 milhões, já que 52 candidatos teriam acertado com o grupo.
Segundo a polícia, em troca do pagamento, os inscritos receberiam os resultados da prova antecipadamente ou por meio de equipamentos eletrônicos ou ainda podiam ter os nomes incluídos na lista de aprovados.


