Curitiba – O Ministério da Saúde divulgou ontem que 18.456 profissionais se inscreveram no primeiro ciclo de contratações do programa Mais Médicos. Também segundo o governo, 3.511 municípios manifestaram interesse em receber esses profissionais. Ao todo, as cidades cadastradas solicitaram 15.460 médicos para atuar na atenção básica.
A meta do programa é levar médicos para atuar durante três anos em regiões carentes. No Paraná, 286 municípios (72% do total) aderiram, incluindo Curitiba e Londrina (consideradas prioritárias pela concentração de população), Maringá e Ponta Grossa. Outras cidades da região Norte inscritas são Cambé, Rolândia, Arapongas, Apucarana, Alvorada do Sul, Califórnia, Assaí, Ivaiporã, Jataizinho e Sertanópolis. Juntas, as cidades paranaenses apresentaram demanda para 969 médicos.
Os médicos que se inscreveram no programa têm até amanhã para regularizar as inscrições, completar o processo e indicar, entre os 3.511 municípios cadastrados, pelo menos seis onde gostariam de trabalhar.
No dia 1º de agosto o governo divulgará a lista de profissionais brasileiros selecionados. Estes terão até 3 de agosto para homologar sua participação no programa e assinar um termo de compromisso. Os médicos do exterior vão preencher as vagas excedentes.
"Nenhuma região do País teve índice de adesão menor do que 55%. Isso mostra que não só faltam médicos na atenção básica como cresceu a demanda desde o início do ano", destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Entre as mais de 18 mil inscrições, 1.920 são de profissionais formados no exterior, em 61 países. O ministério não informou se são brasileiros formados em outros países ou profissionais estrangeiros. Foram identificados 8.307 pedidos de participação com números inválidos de registro em conselhos regionais de medicina (CRMs). "Vamos aguardar até domingo, quando todas as inconsistências dos cadastros devem ser sanadas, para ver realmente quantos têm interesse em atender a população por meio do programa", completou Padilha.

Entidade
Para o presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM-PR), Alexandre Bley, o programa não vai resolver os problemas do sistema de saúde no País. Ele acrescenta que denúncias começam a aparecer no sentido de que prefeituras pretendem demitir os médicos atuais para desonerar a folha de pagamento, já que o governo federal vai bancar as bolsas por meio do Mais Médicos. "Já ficamos sabendo de notícias sobre esta prática", afirmou.
A categoria vai suspender os serviços médicos eletivos nos dias 30 e 31, seja de caráter público, suplementar ou particular. A mobilização deve ocorrer em todo o País.
Liminar
O presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, negou ontem o pedido de liminar da Associação Médica Brasileira (AMB) para suspender o Mais Médicos.(Com Agência Estado)

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