72% defendem proibição da venda de armas
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terça-feira, 13 de setembro de 2005
Laura Diniz<br>Agência Estado 
São Paulo- Metade das pessoas que apoiava a manutenção da venda de armas de fogo no País em fevereiro mudou de opinião, segundo pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem. Em fevereiro, 48% dos entrevistados se diziam favoráveis à proibição da venda de armas, cujo referendo acontece no dia 23 de outubro. No levantamento divulgado ontem, o número chegou a 72,7%, o que indica que 24,7% mudaram de opinião. Além disso, para 50,6% das pessoas ouvidas, a violência vai cair se o comércio for proibido. Os números são aproximados.
''Essa pesquisa mostra que as pessoas estão tomando consciência de que arma não é defesa, é risco'', afirmou o deputado Raul Jungmann (PPS - PE), secretário-geral da Frente Parlamentar por um Brasil sem Armas. Segundo ele, o apoio ao sim (ao veto às armas) aumentou graças aos resultados do Estatuto e da Campanha do Desarmamento e ao debate provocado por eles na sociedade.
De acordo com a Polícia Federal, até o dia 6 haviam sido entregues 406.169 armas. Jungmann destacou também a queda de 8,2% no número de mortes causados por armas de 2003 para 2004. ''É um resultado muito positivo, mas não podemos nos acomodar. Tudo vai começar para valer a partir de 1.º de outubro, quando começa a propaganda na TV'', disse Denis Mizne, presidente do Instituto Sou da Paz, numa referência ao horário destinado nos meios de comunicação para as frentes a favor e contra a venda de armas.
Na avaliação do coronel Jairo Paes de Lira, um dos porta-vozes da Frente Parlamentar pelo Direito da Legítima Defesa, contrária à proibição da comercialização das armas, a pesquisa mostra apenas uma ''reversão aparente''. Ele afirmou que as perguntas feitas aos entrevistados nos levantamentos foram diferentes. Em fevereiro, a questão era: ''O sr. é a favor ou contra a proibição da venda de armas no País para cidadãos em geral?'' No último levantamento, a pergunta foi a mesma que será usada no referendo, no dia 23: ''O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no País?''
''A questão do referendo gera uma tendência de aprovação. Como um técnico do próprio instituto CNT/Sensus falou, a palavra comércio não é avaliada positivamente pela população'', disse Lira. ''As pessoas acabam associando isso à bandidagem, o que, evidentemente, não é pertinente.'' Segundo ele, a frente acredita que pode mudar a situação durante a campanha de rádio e TV.


