71% das empresas aéreas brasileiras não estão preparadas para o Bug
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terça-feira, 27 de julho de 1999
Por Clarissa Thomé, especial para a AE 
Rio, 28 (AE) - Das empresas aéreas comerciais brasileiras 71% não estão preparadas para o chamado Bug do Milênio - possível "falha" na leitura de data pelos sistemas informatizados -, de acordo com levantamento do Departamento de Aviação Civil (DAC). Uma portaria do departamento, de 3 de março
estabelecia prazo para adaptação das companhias até 30 de junho passado. "Estamos estudando sanções às empresas, sem provocar prejuízo aos passageiros", afirmou um dos coordenadores do grupo que estuda o bug, major-aviador Marcos Rodolfo Colares Lessa.
O DAC enviou questionários para 51 empresas de transporte aéreo de passageiros pedindo informações sobre as providências tomadas para enfrentar o bug e obteve resposta de 50 delas. Resultado: só 29% disseram que adaptaram seus computadores. Lessa afima que grandes empresas como Varig, Vasp, TAM e Transbrasil - responsáveis pelo transporte de 60% dos passageiros - estão preparadas. "Acreditamos que as demais companhias (pequenas, regionais) vão se adaptar até o fim do ano", disse.
Sanções - Entre as sanções que o DAC estuda está desde a advertência e multa à suspensão de autorização para transporte de passageiros. Mas o departamento também considera a hipótese de aumentar o prazo para adaptação até setembro ou outubro. "Algumas empresas têm sido honestas ao apresentar as planilhas, mas não conseguiram cumprir o prazo de 30 de junho", afirmou Lessa.
Das 436 companhias de táxi-aéreo, 47,7% responderam ao questionário do DAC e 43% do total disseram estar preparadas para o bug. Entre as prestadoras de serviço, como fornecimento de alimentação ou de equipes de limpeza - as chamadas empresas auxiliares -, apenas 21% das 158 enviaram as respostas exigidas pelo departamento, garantindo que estão prontas para a possível falha dos computadores.
A situação dos aeroportos é mais tranquilizadora: 29 aeroportos internacionais e 91 domésticos modernizaram seus computadores. Os demais, 70 domésticos, são usados ocasionalmente e não são informatizados. O controle é eletromecânico.
Nos programas de computador mais antigos, as datas eram de dois dígitos (1999 era armazenado somente como 99) para economizar espaço na memória. Na passagem de 1999 para o ano 2000 há o risco de muitos computadores lerem 1900, o que poderá causar pane nos sistemas. No caso da aviação, malas poderiam sumir no desembarque, o painel de vôos informaria origens e destinos impossíveis, haveria o risco de o piloto perder contato com a torre de controle, se as empresas e aeroportos não se adequassem ao bug. O monitoramento pelo DAC de providências tomadas por empresas ligadas à aviação está no site do departamento: www.dac.gov.br.


