Aproximadamente 420 dos cerca de 600 servidores e colaboradores da sede do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) passam por exames de sorologia de toxoplasmose até a próxima semana, após a confirmação de 17 casos da doença transmitida por um protozoário encontrado nas fezes dos gatos. Até ontem, cerca de 180 coletas de sangue foram realizadas por dois laboratórios contratados pelo instituto para atendimento dos funcionários na própria sede, localizada na marginal da PR-445 em Londrina.
A gerente de benefícios do Iapar, Cássia Balbinotti, informou que 250 novos exames devem ser realizados nos próximos dias 28 e 29, conforme a lista de funcionários e terceirizados que já solicitaram o agendamento. "Depois de concluir as coletas, as amostras vão passar pela análise dos laboratórios e os resultados saem em três dias", adiantou. A FOLHA apurou que há novos casos confirmados entre os funcionários do órgão, mas a direção do Iapar disse que só se manifestará quando as notificações forem formalizadas.
Servidor no setor de contabilidade, Daniel Cacheta disse que teve sintomas leves de gripe nos últimos dias e optou pelo exame de sangue por precaução. Segundo especialistas na área, a toxoplasmose pode ser confundida com outras doenças ou não apresentar sintomas. "É importante fazer exame para ter um resultado o mais rápido possível. Se der positivo, a pessoa pode iniciar o tratamento e tomar cuidado, principalmente com os olhos, já que existe o risco de lesões", comentou o servidor, que assistiu às palestras do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Londrina (UEL) no instituto.
Segundo o diretor de Gestão de Pessoas do Iapar, Adelar Motter, a disponibilidade dos exames para os 600 servidores e colaboradores na sede do instituto também é uma forma de diminuir a ansiedade dos funcionários por conta da confirmação do surto. As principais suspeitas de contaminação ainda são a água e os alimentos do restaurante administrado pelo Iapar para atendimento dos funcionários. "Nos próximos 10 dias, vamos lavar e higienizar 30 caixas d´água no instituto. Neste primeiro fim de semana, a cisterna, a principal caixa d´água e o local de fornecimento do restaurante vão passar pela limpeza", comunicou. Além disso, os trabalhadores do Iapar vão passar a consumir água fornecida pela Sanepar temporariamente até a conclusão das investigações sobre o foco da contaminação.
Motter também esclareceu que o refeitório vai continuar funcionando, mas sem servir alimentos crus, como legumes, frutas e verduras. Ainda de acordo com ele, a Vigilância em Saúde de Londrina acompanha diariamente o caso no Iapar e 87 exames de sangue já foram realizados pelo órgão antes da contratação dos laboratórios. Os resultados devem ser divulgados no início da próxima semana, com a possibilidade de confirmação de novos casos. A presidência do Iapar também deve tomar medidas para aumentar o controle dos animais na sede do instituto.
A UEL, referência nacional na apuração de surtos de toxoplasmose no País, colheu ontem amostras de sangue de vítimas no Iapar na tentativa de realizar o isolamento do parasita, além de distribuir questionários para identificação do foco.

SEM ÁGUA


O Iapar cortou o fornecimento de água, temporariamente, para a população nas torneiras instaladas em frente à sede do instituto, às margens da PR-445, por causa da suspeita de contaminação, que provocou o surto de toxoplasmose. De acordo com o comunicado, a interrupção será de 10 dias para manutenção do sistema de abastecimento. A previsão inicial é que o fornecimento de água seja restabelecido no dia 3 de novembro.

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