Fábio Motta/AE
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Paciência de ministroO ministro Carlos Albuquerque, no Rio: ‘‘É preciso esperar algum tempo para que haja uma mudança de cultura’’Na próxima semana o Ministério da Saúde vai divulgar uma pesquisa, feita pela MCI Consultoria, na qual o índice de aprovação da população à Lei de Doação Presumida de órgãos é de 69% - apenas 2% abaixo da anterior, feita antes da entrada em vigor da legislação e da polêmica que se seguiu. Com a pesquisa, o ministério vai deflagrar uma campanha de esclarecimento sobre os aspectos mais discutidos da lei, como a definição de morte cerebral. As peças publicitárias, feitas pela agência DM-9, foram aprovadas ontem pelo ministro Carlos César Albuquerque.
O ministro antecipou os principais números do estudo. ‘‘O índice dos que conheciam o assunto foi muito alto, de 90%, e a rejeição à lei foi de cerca de 7%’, comemorou. ‘‘É importante dizer que um bom número de entrevistados apontou que a polêmica devia ter acontecido antes, não depois da sanção da lei.’ A campanha vai durar 15 dias.
Depois, o ministério vai fazer nova pesquisa, para avaliar o efeito da campanha. ‘‘Vamos alterar a campanha de acordo com os novos resultados’’, afirmou. Na mesma pesquisa, 50% dos entrevistados avaliaram a área pública de saúde como ruim, mas o resultado até que alegrou o ministro. ‘‘Na pesquisa passada, feita no início de 1997, o índice de avaliação ruim era de 56%’, disse.
Parentes O ministro admitiu que o governo pode rever a lei para incluir a permissão de que os doadores apontem parentes para receber seus órgãos, o que quebraria o critério da lista única de receptores. ‘‘Vamos examinar se a lei impede isso, e, aparentemente, essa questão pode ser considerada’’, disse Albuquerque. ‘‘A fila única é uma das grandes vantagens da lei, porque garante a equidade, mas ainda não tenho opinião formada sobre a doação a parentes.’
Esse seria o único caso sobre o qual o governo abriria uma brecha na lei. Para o ministro, o texto atual não precisa sofrer nenhuma outra alteração - nem para garantir que a família do doador presumido seja ouvida e possa decidir sobre o assunto. ‘‘Na campanha, vamos mostrar que é preciso ouvir a família, porque essa é uma atitude médica, de respeito pelo paciente, que independe da lei’’, disse. Albuquerque acha que, a exemplo do que aconteceu em outros países, como Espanha, França e Áustria, é preciso esperar algum tempo para que haja uma mudança de cultura em relação à doação.

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