São Paulo, 13 (AE) - As duas rebeliões que transformaram o complexo Imigrantes da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) em praça de guerra no fim de semana resultaram em uma das maiores fugas já registradas. Foram 644 fugitivos, de acordo com a diretoria da unidade, situada na Rodovia dos Imigrantes, na zona sul de São Paulo. O número supera o de 494 adolescentes que escaparam da instituição, numa rebelião em dezembro de 1997, na mesma unidade .
Até o fim da tarde de hoje 285 menores haviam sido recapturados depois de rondas ostensivas da polícia na mata do Parque do Estado, onde a maioria dos adolescentes se refugiou. Faltavam ainda ser capturados 359 infratores, que haviam sido detidos por praticar os mais diferentes crimes - de homicídios e assaltos a mão armada a pequenos furtos.
Divergência - Houve divergências nas informações desde o início da manhã. O primeiro número de fugitivos divulgado foi 712. À noite, a presidência da instituição discordou dos dados fornecidos hoje na porta da Febem pelo diretor do complexo, Lucimar da Silva, e estimou em 527 as fugas entre sábado e domingo.
A diferença entre as informações não aliviou o sofrimento de pais e mães que passaram a noite em frente a Febem e ficaram aflitos com as notícias das fugas em massa. "Estou apavorada; me falaram que já mataram uns 20 lá dentro", gritava Maria Brasutti Ramos, de 59 anos, que esperava visitar seu neto desde as 9 horas de sábado.
Os moradores da vizinhança também ficaram em vigília na madrugada. "Eles vinham de monte e subiam nos telhados das casas", contou Rogério Alberto Goncalves, de 17 anos. "Até ajudei alguns meninos e dei umas roupas; deu dó vê-los passando frio."
Feridos - Os dados alarmantes não se limitam às fugas. Informações oficiais, fornecidas pela diretoria do complexo, atestam que pelo menos 184 menores e 22 funcionários ficaram feridos. Um dos servidores, Wagner Márcio Damasco, teve um enfarte e estava internado no Hospital do Jabaquara. Apesar de todo o confronto do fim de semana, nenhuma autoridade compareceu ao local. Procurado pela reportagem, o presidente da entidade, o advogado Guido de Andrade, não deu resposta aos telefonemas. Em 15 dias esse foi o segundo motim na unidade, que tem capacidade para 360 internos, mas abriga 1.500.
A Febem anunciou transferências para diminuir os conflitos. Segundo a instituição, 70 menores seriam levados para a unidade de Campinas; 250, para a da Rodovia Raposo Tavares; 70
para São José do Rio Preto; 40, para a unidade do Brás; e 72 internos para a unidade do Guarujá, no litoral paulista, que deve estar pronta em dois meses.

mockup