Curitiba - Uma rotina desgastante, mas necessária. Para muitos sobreviventes existe uma série de atendimentos médicos e acompanhamentos indispensáveis que precisam ser realizados por equipes de saúde de Santa Maria. Segundo o Centro Integrado de Assistência às Vítimas de Acidente (Ciava), 60 pessoas em situação mais delicada ainda tratam regularmente de lesões pulmonares e lutam para expelir a fuligem acumulada nos pulmões. Destes, 42 são jovens que ficaram meses em coma. Outros 200 pacientes são acompanhados porque também respiraram a fumaça tóxica que matou, por asfixia, a maior parte das 242 vítimas fatais do incêndio.
O Ciava, que funciona dentro do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), foi formalizado quatro meses após o incidente. Antes disso, voluntários realizavam os atendimentos. A Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) esteve na cidade nos primeiros dias depois da tragédia e auxiliou no processo de implantação do centro.
Em um ano, conforme o Ciava, 1.588 pessoas foram atendidas e direcionadas para acompanhamentos especializados. Além de lesões pulmonares, são prestados atendimentos referentes a queimaduras, fisioterapia, sessões de terapia e aconselhamento psicológico, por exemplo. Os sobreviventes ainda se deparam com um sistema imunológico enfraquecido e, principalmente, apresentam sequelas psicológicas devido ao trauma vivido na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013. "É um trabalho contínuo e que não para. Foi firmado um termo de compromisso com o Ministério da Saúde para que os pacientes sejam acompanhados por pelo menos cinco anos, para termos a garantia de que eles estarão recuperados", informou Soeli Teresinha Guerra, diretora de enfermagem do HUSM e coordenadora do Ciava.
Além dos pacientes atendidos com lesões pulmonares, 60 pessoas com queimaduras são atendidas regularmente no centro. Deste total, 22 já foram indicadas para passar por cirurgia plástica. Os procedimentos devem ocorrer no Hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre. Outros 75 sobreviventes são acompanhados em sessões de fisioterapia e 50 são atendidos por psicólogos e psiquiatras de duas a três vezes por semana. "O período de atendimento varia muito. Algumas pessoas já vêm ao centro a cada 60, 90 dias. Entretanto existem casos mais complexos em que os pacientes têm que comparecer de duas a três vezes por semana. Enfim, temos que um olhar cuidadoso e particular com cada um. O que eles passaram é traumático e a saúde ainda está comprometida", ressaltou.(R.C.J.)

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