60% dos brasileiros têm muito medo de roubo e assassinato
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segunda-feira, 09 de julho de 2012
Folhapress 
São Paulo - Pesquisa de opinião divulgada recentemente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que é alto o medo da violência no Brasil e baixa a confiança nas polícias que combatem os crimes mais próximos do cotidiano do cidadão.
O Ipea publicou a segunda rodada de pesquisa sobre segurança pública feita pelo Sistema de Indicadores de Percepção Social, criado pelo instituto. Desta vez, 3.799 pessoas foram entrevistadas em todas as regiões do País.
A cada grupo de dez brasileiros, pelo menos seis têm ''muito medo'' de assalto à mão armada, assassinato e arrombamento da residência, conforme apurado pela pesquisa. Mais da metade sente ''muito medo'' de sofrer agressão. O percentual de ''nenhum medo'' em todos os quesitos (assalto à mão armada, assassinato e arrombamento da residência) é em torno de 10%, com exceção do tema sofrer agressão, em que o percentual é 18,2%.
As mulheres se sentem menos seguras que os homens. Apenas 7,8% das entrevistadas disseram não sentir ''nenhum medo'' de assalto à mão armada, enquanto 16,9% dos homens têm a mesma sensação. Metade dos homens entrevistados afirma ter ''muito medo'' de assalto à mão armada, enquanto três quartos das mulheres têm a mesma intranquilidade.
A amostra da pesquisa permite comparações entre as regiões. Em todos os quesitos, o Nordeste (com mais de 70% das respostas indicando ''muito medo'') lidera os temores de violência.
Além da sensação de insegurança, a pesquisa ouviu a opinião dos entrevistados sobre as instituições policiais. Apenas a PF (Polícia Federal) teve índice acima de 10% na resposta ''confia muito''. As polícias civis e militares dos estados, polícias com os maiores efetivos e mais próximas do cotidiano dos cidadãos, atingiram apenas 6% das respostas ''confia muito''. Cerca de 9% disseram ''confiar muito'' na Polícia Rodoviária Federal.
Em cada dez entrevistados, seis concordam que a PF e a PRF realizam ''seu trabalho com competência e eficiência''. Mais da metade dos entrevistados em todo o país discordam da afirmação de que a ''Polícia Civil realiza investigações sobre crimes de forma rápida e eficiente''. A maioria também discorda que ''a Polícia Militar (PM) aborda as pessoas de forma respeitosa''.
Menos de 45% discordam que a PM ''atende às emergências de forma rápida e eficiente''. Segundo o Ipea, a percepção negativa das pessoas declaradas ''não brancas'' em relação às polícias é 5% acima daquelas declaradas ''brancas''. Mais de 63% de todos entrevistados afirmaram que ''os policias no Brasil tratam as pessoas com preconceito''.
Apesar desses indicadores, a maioria da população ainda confia na polícia. Somente cerca de um quinto (20%) disse ''não confiar'' nas polícias militares e nas polícias civis, enquanto 15% avaliaram negativamente a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal.
Dos entrevistados, 48,4% afirmaram ''ter procurado a polícia por algum motivo e passado por um atendimento policial''. Desses, 74,1% fazem ''avaliação positiva'' dos atendimentos policiais.
A desigualdade social, a falta de investimento em educação e o aumento do tráfico de drogas foram apontados como as principais causas da criminalidade. O crescimento do comércio ilegal de entorpecentes foi a principal dificuldade enfrentada pelos policiais.
A maioria dos entrevistados discorda que os policiais no Brasil ''recebem boa formação e são bem preparados''. Mais de um quarto dos entrevistados afirmam que ser policial é uma péssima opção de trabalho.



