Londrina - A Região Sul tem a maior proporção de municípios com programa, projeto ou ação de coleta seletiva de lixo em atividade, segundo a pesquisa ''Perfil dos Municípios Brasileiros'', do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada ontem. O estudo, que usou dados de 2011 em prefeituras de todo o País, revelou que os Três estados possuem juntos um total de 55,8% de municípios com a atividade - média acima da brasileira, que ficou em 32,3%.
Em segundo lugar está a região Sudeste, com 41,5% de municípios com coleta seletiva. Já as regiões Norte e Nordeste apresentaram as maiores proporções de municípios sem programas: 62,8% e 62,3%. Em Roraima, nenhum município tinha coleta seletiva em 2011. O cruzamento de dados com a última Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB), de 2008, indica que não houve avanço significativo na área.
O assessor da diretoria da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP), Antônio Simões Garcia, avaliou que os dados da pesquisa são ''aproximados da realidade'', mas o número pode ser ainda pior. ''Avaliando várias pesquisas, temos elementos para afirmar que o Brasil recicla hoje somente 2% de sua capacidade'', declarou. Garcia salientou que é necessário ''educar ambientalmente'' as pessoas, para que o hábito da reciclagem cresça no País.
O problema é que, mesmo que as pessoas separem o lixo reciclado, nem sempre as políticas públicas ajudam. Circulando pelas ruas centrais de Londrina na tarde de ontem a reportagem notou acúmulo de lixo reciclado em frente a prédios e casas. Na Rua Espírito Santo, quase esquina com a Uruguai, por exemplo, havia vários sacos espalhados por toda a extensão da rua.
A síndica do Residencial Missouri, Laurinda Gonçalves Souza, contou que os moradores estão começando a misturar o lixo reciclado ao comum - prática que diminui a vida útil de aterros sanitários. ''Infelizmente é o que temos que fazer, porque há 15 dias não recolhem nosso lixo reciclado. Não podemos deixar jogado na rua, porque com essas chuvas temos medo de acumular água e começar a ter dengue'', explicou a moradora.
A coordenadora de coleta seletiva da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Eliene Moraes, garantiu que a coleta seletiva em Londrina continua sendo modelo nacional, e que 100% dos dimicílios da área urbana estão sendo atendidos pela coleta seletiva. ''Nosso modelo ainda é feito com 100% do contrato com cooperativas, o que é um avanço'', declarou.
Atualmente, duas cooperativas - Cooprelon e Coopersil - são responsáveis por fazer coleta, transbordo e triagem de 74% das residências. O restante é coletado pela Coopersil, mas a triagem é feita pela Coocepeve. Uma média de 900 a 950 toneladas mensais de lixo são reaproveitados através da reciclagem em Londrina, segundo a CMTU.
A coordenadora explica que na área central a coleta é noturna, e nos bairros é feita durante o dia. ''As pessoas muitas vezes não sabem qual o horário o caminhão passa, coloca o lixo na rua no horário errado e ele fica sem ser recolhido mesmo'', admitiu. A CMTU recomenda que, em lugares onde a coleta é feita durante o dia, o lixo seja colocado na rua às 8 horas, e em lugares onde a coleta é noturna o lixo deve ser colocado às 17 horas. ''O caminhão tem uma rota, mas não um horário específico para passar nos locais.''(Com Agência Estado)
Serviço
Informações sobre dias e horários da coleta seletiva podem ser obtidas pelo telefone (43) 3379-7900

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