Curitiba - Levantamento do movimento Todos pela Educação aponta que 55% das escolas da rede pública do Paraná possuem bibliotecas. A porcentagem é a segunda maior do País. O primeiro lugar é do Rio Grande do Sul, onde 63% das instituições de ensino públicas contam com acervos de livros. Os números nacionais, no entanto, são preocupantes. Do total de instituições da rede pública brasileira, apenas 27,5% possuem bibliotecas.
Os números da pesquisa divulgados ontem foram baseados no Censo Escolar 2011. O estudo levou em consideração informações sobre a Educação Infantil, Ensino Fundamental, Médio, Profissional, Educação Especial e Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Na rede municipal, 60,3% das escolas paranaenses não possuem bibliotecas. São 2.924 instituições, de um total de 4.935, sem um espaço físico próprio.
O panorama das estaduais é bem melhor: de um total de 2.134 instituições, 1.867 possuem bibliotecas. Com relação às instituições privadas, 1.355 instituições de um total de 2.017 têm acervos organizados em um espaço físico adequado. Já as 24 escolas federais do Paraná contam com bibliotecas.
Priscila Cruz, diretora executiva do movimento Todos Pela Educação, ressalta que a falta de uma estrutura com acervos de boa qualidade pode impactar na aprendizagem ao longo da vida escolar, principalmente nos primeiros anos do Ensino Fundamental. "Nesta fase é essencial ter acesso a livros para estimular o gosto pela leitura e para desenvolver habilidades de compreensão e interpretação de textos. Conforme uma criança vai crescendo os problemas da falta de leitura ficam mais evidentes'', explicou.
Para Elisa Dalla-Bona, professora do Setor de Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o problema é mais complexo do que se imagina. Ela destaca que não adianta ter uma biblioteca numa escola se o local não é utilizado para desenvolvimento do hábito da leitura. "O ideal é que funcione como um espaço para troca de ideias, de aprendizado, com espaço para contação de histórias e um acervo de qualidade", recomenda.
Segundo Renê Wagner Ramos, coordenador de Pesquisas Educacionais da Secretaria Estadual de Educação (Seed), o órgão espera instalar mais bibliotecas nas instituições estaduais até o final de 2014. Para isso estão sendo feitos levantamentos sobre as estruturas físicas de cada escola.
Segundo Alexandre de Moraes, diretor do período noturno do Colégio Albino Feijó Sanches, no Parque das Indústrias (zona sul de Londrina), a biblioteca da instituição é uma das únicas opções de acesso à leitura para a maioria dos alunos. "Nossa escola fica em uma região carente e o livro no Brasil é muito caro. Por isso, nosso acervo é muito importante. Com certeza muitos não têm condições de comprar", destacou.
A biblioteca do Albino Feijó ter cerca de 12 mil volumes. Moraes acrescenta que os professores incentivam os jovens a frequentar o local, com o objetivo de criar entre os estudantes o hábito da leitura.

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