52 hospitais do Rio se unem para combater aumentos abusivos
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domingo, 21 de fevereiro de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 22 (AE) - Os 52 hospitais da rede pública (federal, estadual e municipal) do RJ vão se unir para combater o aumento abusivo de preços. Segundo a coordenadora do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro, Ana Tereza da Silva Pereira, será feito um kit básico com os preços de produtos médico-hospitalar e medicamentos, que estará disponível na Internet a partir de abril. A idéia é acabar com a preferência por marcas, responsável pela alta variação de preço de um mesmo produto entre um hospital e outro, e aumentar o poder de compra da rede pública sobre os fornecedores.
"Não existe o cartel dos fornecedores? Agora, teremos o cartel dos compradores", brincou Ana Tereza. Os hospitais universitários e as secretarias de saúde estadual e municipal já aderiram ao projeto, segundo a coordenadora. Na esfera federal, além das 13 unidades diretamente administradas pela União, estão envolvidos também o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e o Instituto Fernandes Figueira, da Fiocruz.
Amanhã (23) Ana Tereza se reúne, às 10 horas, com diretores dos cinco hospitais militares do Rio para apresentar e discutir a adesão deles à proposta.
O custo com material médico-hospitalar e medicamentos representa 40% do orçamento anual da rede federal no Rio, de cerca de R$ 250 milhões. O resto é despesa com serviços. De acordo com Ana Tereza, os diretores ainda estão discutindo quais produtos que integrará o kit básico. Ela acredita, porém, que deverão ser aproxidamente 200 itens de uso médico-hospitalar e 100 de medicamentos. "Os critérios para compra serão preço e qualidade", disse.
Planilhas - A coordenadora disse que o Ministério da Saúde já mantém uma grade de preços na Internet , que pode ser utilizada pelos diretores das unidades federais. Em abril, porém
será formada uma grade comum com o município, para ser usada pelos diretores dos 52 hospitais públicos do Estado. Ana Tereza explicou que os fornecedores deverão abrir suas planilhas de custos em caso de revisão de preços. "O que não podemos aceitar é a especulação em cima do dólar", afirmou. Desde a desvalorização do real, alguns produtos já tiveram aumento de até 57%.
Até a implantação definitiva do projeto os hospitais federais no Rio deverão repor seus estoques seguindo a tabela do Ministério da Saúde na rede mundial de computadores. Ou ainda formar o que Ana Tereza chamou de "rede de solidariedade" entre os hospitais para evitar o desabastecimento.


