52 escolas desfilam nos Grupos de Acesso3/Mar, 13:28 Por Beatriz Coelho Silva Rio, 3 (AE) - O desfile das grandes escolas de samba, as do Grupo Especial, domingo e segunda-feira, não resumem o carnaval carioca. Além dessas 14 agremiações, outras 52 lutam por um lugar ao sol, nos chamados Grupos de Acesso. São cinco ao todo, com escolas de todo tamanho e poder aquisitivo. Entre elas o grupo mais importante é o Acesso A, que desfila amanhã (4) à noite no sambódromo. Serão 12 ao todo e as duas campeãs vão para o Grupo Especial em 2001. O desfile merece atenção. Afinal, Porto da Pedra e Unidos da Tijuca, campeãs deste grupo em 1999, passaram pelo sambódromo tão luxuosas quanto escolas mais ricas, como Mangueira ou Salgueiro. E estar no Acesso A não desonra, pois significa ficar entre escolas lado do Império Serrano, uma das mais tradicionais do Rio, e a Estácio, do centro da cidade, antiga São Carlos, descendente direta da Deixa Falar, a pioneira fundada por Ismael Silva. É difícil prever uma favorita no desfile de 2000, pois o que falta em luxo e dinheiro a estas agremiações, sobra em alegria e garra. A Acadêmicos da Rocinha, por exemplo, resultado da união das escolas Império da Gávea e Unidos da Rocinha e o bloco Poder Jovem, vem com o enredo O Sonho da França Antártica de Villegagnon, de Luciano Costa. Huguenotes, índios Tamoios e piratas vão passar pelo sambódromo lembrando a antiga paixão dos franceses pelo Brasil. A Estácio vem com Envergo mas não Quebro, de Jorge Cunha e Paulo Trabachini, uma enciplopédia sobre o bambu, contada por cerca de duas mil pessoas. Lá está o 14-Bis, de Santos Dumont, que tinha estrutura de bambu. "Mas não será um enredo abstrato porque prefiro contar a história como ela é", adianta o carnavalesco Jorge Cunha. O enredo da A Império da Tijuca, O Ouro Vermelho de Paty de Alferes, de Eduardo Silva e Paula Vannier, fala do tomate, principal riqueza da pequena cidade do interior fluminense. O cientista Oswaldo Cruz é tema de duas escolas do Acesso A. A politizada Em Cima da Hora, usa o personagem para falar da saúde pública no Brasil, do século passado até hoje, com crítica à volta da febre amarela e homenagem a José Carlos Carelli, funcionário desaparecido há seis anos. A Unidos do Jacarezinho, vem com Do Barão à Fundação, 100 anos a Serviço da Nação, que conta a história do centro fundado pelo cientista para pesquisas sanitárias. As duas prometem carros da belle époque carioca e as réplicas do prédio centenário onde funciona a instituição. A Unidos do Cabuçu vem com o enredo Brasil 500... Ano 2000...Cabral faz a Festa no Brasil. "É uma alegoria ao país que Pedro álvares Cabral encontraria agora", adianta o carnavalesco Lane Santana. Outra escola com enredo relativo aos nossos 500 anos é a Acadêmicos de Santa Cruz, com Brasil, do Extrativismo à Reciclagem, contando como nossas riquezas são exploradas. "Usei muito material reciclado para ser fiel ao tema da escola", adianta o carnavalesco. A Inocentes de Belfort Roxo abre o desfile com o enredo Petrópolis, Roxo de Amor por Você, sobre a cidade imperial e de seu fundador, dom Pedro II. Nosso imperador também é tema do enredo da última escola a passar, Paraíso do Tuiuti, que o mostra como artista e cientísta, no enredo Um Monarca na Fuzarca. O pai de Pedro II, Pedro I, é personagem da Acadêmicos do Cubango, que desfilará Uma Independência de Fato. Nesta escola, a grande atração é Elza Soares, como puxadora do samba. Das escolas que desceram no ano passado, a Império Serrano luta para voltar ao Grupo Especial com o enredo Os canhões de Guararapes, de Sílvio Cunha. A estrela da escola verde e branco é Dona Ivone Lara. A Unidos de São Clemente, outra que voltou ao acesso, vai falar do Estado de Sergipe e promete cachoeiras do São Francisco e palmeiras no sambódromo.