Curitiba – O Paraná pretende começar a vacinação contra dengue no dia 1º de junho deste ano e deve ser o primeiro Estado a adquirir as vacinas pioneiras do laboratório Sanofi Pasteur. Segundo o secretário estadual da Saúde, Michele Caputo Neto, a data para início da imunização depende da definição do preço do produto pela empresa francesa junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A intenção da Sesa é vacinar 500 mil pessoas, moradores de municípios em situação de epidemia. Os grupos prioritários ainda serão definidos pela Sesa, mas ficará entre pessoas com idade entre 9 e 45 anos, faixa etária indicada pelo fabricante para receberas doses. A princípio, Paranaguá (Litoral) e Foz do Iguaçu (Oeste) encabeçam a lista de municípios beneficiados.
A vacina contra a dengue do Sanofi Pasteur demorou 20 anos para ser desenvolvida e é a única já aprovada para uso no mundo. O registro foi concedido pela Anvisa em dezembro de 2015. Por enquanto, ela está sendo aplicada nas Filipinas.
O produto será comprado pelo próprio Estado do Paraná, que pretende investir R$ 25 milhões no primeiro lote – a União ainda não incluiu a substância no calendário do Sistema Único de Saúde (SUS). Caputo Neto não quis revelar o preço, mas acredita que a pasta tem condição de adquirir 500 mil doses. Outra vacina contra dengue está sendo desenvolvida pelo Instituto Butantan, com prazo de finalização para três a cinco anos, comentou o secretário. O Sanofi Pasteur é responsável pelo fornecimento de 19 vacinas que fazem parte do calendário da Sesa.
A expectativa é que a imunização ajude a reduzir em 93% os casos de graves de dengue e em 80% o número de internações hospitalares por conta da doença. A vacina tem eficácia comprovada de 66%, protegendo contra os quatro subtipos do vírus da dengue (DENV 1, DENV 2, DENV 3 e DENV 4). "No Paraná, essa porcentagem poderá ser ainda maior, pois a vacina é extremamente eficaz contra os vírus DENV 1 e DENV 4, que mais circulam no Estado", disse a superintendente de Vigilância em Saúde, Cleide de Oliveira.
Para o diretor-geral da Secretaria da Saúde, Sezifredo Paz, a decisão de disponibilizar a vacina contra a dengue na rede pública é uma medida essencial para conter o avanço da doença no Estado. "Além de proteger o cidadão que receberá a dose, a vacina beneficia toda a população, pois diminui a circulação viral nos municípios atendidos", explicou.
Em 2015, foram registrados 1.649.008 casos de dengue no País, segundo relatório epidemiológico do Ministério da Saúde. O número é o maior registrado na série histórica, iniciada em 1990. (A.D.C.)

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