Brasília, 03 (AE) - Gritando palavras como "Roriz assassino", usando tarjas pretas nos braços e carregando faixas
cerca de 500 servidores fizeram hoje um protesto pela morte a tiros do servente José Ferreira da Silva, na frente da Novacap, em Brasília. No confronto, os policiais também feriram dezenas de trabalhores. Ao contrário de quinta-feira, a Polícia Militar acompanhava a manifestação a distância, com mais de cem homens.
"Estamos aqui para assegurar a integridade do patrimônio da empresa", disse o coronel Sampaio, que comandava um grupo de 80 policiais. O grupo posicionou-se entre o muro e a sede da empresa.
Os manifestantes exigiam, de um carro de som, a demissão dos secretários Paulo Castelo Branco (Segurança), de Antônio Ribeiro (comandante da PM), e de Tadeu Filipelli (Obras). À tarde, os três foram afastados dos cargos pelo governador Joaquim Roriz (PMDB). "Eles são os culpados pelo massacre covarde dos trabalhadores", acusou Carlos Zunga, presidente da Central Única (CUT) no Distrito Federal. Zunga chegou, a exemplo de outros manifestantes, a pedir o impechament de Roriz.
Brutalidade - Deputados distritais, federais e senadores também engrossaram o protesto. "Não é possível convivermos com uma brutalidade dessa", disse o deputado Agnelo Queiroz (PC do B-DF), ao defender punição exemplar para todos os envolvidos na morte de Silva e no espancamento dos demais trabalhadores. Queiroz, que é médico, acompanhou a perícia do cadáver. Já o deputado Geraldo Magela (PT-DF), além de propor o asfatamento dos envolvidos, anunciou que vai convocar Roriz, Castelo Branco e Ribeiro a depor na Comissão de Direitos Humanos da Câmara.

mockup