São Paulo, 16 (AE)- Apesar de ocupados com empreendimentos na ex-Alemanha Oriental e com participação tímida nas privatizações brasileiras, os alemães devem aumentar os negócios no País. Na avaliação do economista da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, Thomas Olsinger, nos próximos cinco anos aterrissarão no País 500 novas empresas alemãs, na maior parte de médio porte. Atualmente as 1.200 delas já instaladas aqui somam faturamento anual de US$ 30 bilhões, o equivalente a 30% do PIB industrial da Alemanha. Também pelos cálculos de economista, os investimentos diretos anuais da Alemanha no País devem aumentar de US$ 1 bilhão para 1 5 bilhão em cerca de três anos. Para Olsinger, prova do interesse germânico no Brasil está no aumento das consultas feitas à Câmara, de cerca de 250 em 98, para algo previsto em torno de 350 em 99.
Para incentivar os empreendimentos, a Câmara Alemã está lançando a segunda edição de seu guia de investimentos no Brasil. Com 130 páginas, o manual ensina o caminho das pedras para quem quer abrir negócios no País, com informações detalhadas sobre o cenário político-econômico, mercado e legislação. Também não faltam dados sobre as oportunidades criadas pelas privatizações e pela consolidação do Mercosul.
Na opinião de Olsinger, a publicação ajudará o empresariado alemão a perceber que os efeitos da desvalorização do real são bem menores do que os inicialmente previstos. Também com a intenção de animar os investidores, a Câmara vem promovendo palestras sobre o Brasil em entidades empresariais da Alemanha. "Dizemos, entre outras coisas, que a inflação esperada para este ano é de 7%, não de 40% como houve quem acreditasse logo depois de alta do dólar", conta Olsinger.
"Nos encontros, divulgamos informações mais realistas sobre o Brasil, já que geralmente só chega lá é notícia ruim", diz ele. "Poucos sabem, por exemplo, que só o Estado de São Paulo tem população do tamanho da da Argentina." Ainda para tranquilizar os empresários, o guia faz questão de descartar a possibilidade de calote no pagamento da dívida interna e externa do País. Ressalta também as diferenças ente o Brasil e países como Rússia, Indonésia e Coréia do Sul, com o argumento de que aqui não há risco de crise institucional.
Setores - O guia aponta ainda os setores mais promissores para as empresas alemãs no Brasil. São eles: as indústrias automotiva, química, de máquinas e equipamentos e de eletroeletrônicos; além das áreas de energia, meio ambiente (saneamento básico, tratamento de lixo e venda de filtros industriais para purificar ar água) e engenharia mecânica e de sistemas industriais. Só no setor de autopeças, por exemplo, existem 300 com potencial de se instalar no País, acredita a entidade.
Olsinger aposta que, depois de uma participação pequena nas privatizações brasileiras -até agora os alemães arremataram apenas um terminal no porto de Santos -, o país entrará com mais força nos leilões das estatais de energia elétrica e saneamento básico. Na opinião do economista, as empresas da Alemanha não se interessaram na privatização do sistema de telecomunicações por terem concentrado esforços na desestatização do setor na Alemanha, encerrada há cerca de dois anos.
Ele ressalta também que, com a queda do muro de Berlim, os investimentos se voltaram a "mercados naturais", como a ex-Alemanha Oriental e o leste europeu. Apesar disso, o economista contesta os números da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), que rebaixam os alemães para o terceiro lugar no ranking do investimento direto estrangeiro no Brasil. "Os dados estão desatualizados", alega.
Segundo ele, os estoques de investimentos diretos alemães era de cerca de US$ 14,5 bilhões no fim de 98 e não de US$ 10,5 bilhões, como divulgou a Sobeet. Pela classificação da associação, os Estados Unidos vêm em primeiro lugar, com cerca de US$ 40 bilhões, seguido pela Espanha, com US$ 10,9 bilhões.
A Alemanha é também o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, atrás dos Estados Unidos e da Argentina. No ano passado, entraram no País US$ 5,24 bilhões em mercadorias alemãs. Já as exportações brasileiras, de menor valor agregado, foram bem mais magras: US$ 3,01 bilhões.

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