Curitiba

Kraw PenasControleFórum sobre Qualidade de Alimentos e Saúde discute maneiras de proibir a atuação dos abatedouros clandestinos no BrasilA falta de fiscais nas secretarias de Agricultura e Saúde faz com o Paraná seja um dos Estados com maior percentual de consumo de carne clandestina no País. Atualmente, cerca de 50% da carne comercializada em açougues, mercados e restaurantes não passa por qualquer tipo de fiscalização ou controle de doenças. Dos mais de 300 abatedouros instalados no Paraná, apenas 18 são fiscalizados permanentemente pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) e têm sua identificação nas etiquetas dos produtos.
Segundo o presidente do Sindicato de Carnes e Derivados (Sindicarnes), José Tomazelli, o maior risco existente no consumo de carnes clandestinas é a contaminação por doenças como a cisticircose, tuberculose e brucelose, que podem causar desde anemias e problemas cerebrais até mesmo a morte. Quando são detectados problemas pelos fiscais do SIF, as carnes contaminadas são desprezadas pelos abatedouros ou sofrem processo industriais (resfriamento, cozimento) que impedem a proliferação das bactérias.
Ontem, no Fórum sobre Qualidade de Alimentos e Saúde, promovido na Assembléia Legislativa pelo Sindicarne e Conselho Regional de Medicina Veterinária, sanitaristas e empresários do setor discutiram maneiras de proibir a atuação dos abatedouros clandestinos no Brasil. O chefe do Serviço de Inspeção Federal no Paraná, Carlos Comte, um dos participantes do fórum, afirmou que é difícil combater o problema porque há ‘‘conflitos de interesses’’ que impedem uma fiscalização mais rigorosa. ‘‘Alguns destes matadouros foram criados a pedido dos próprios prefeitos, que muitas vezes fazem vistas grossas ao problema sanitário’’, diz.
No Paraná, há atualmente 110 abatedouros vinculados aos municípios e outros 90 ligados ao Estado, todos com fiscalização deficiente. Na maioria das vezes, as carnes cortadas e embaladas nestes locais têm como destino os açougues das periferias e as churrascarias e restaurantes, que optam pela carne clandestina por serem mais baratas. ‘‘Quando os preços das refeições são muitos baixos é bom desconfiar de que há algo de errado’’, afirma o chefe do SIF.
A Associação de Defesa e Orientação do Cidadão (Adoc) distribuiu ontem aos participantes do fórum uma ‘‘carta de recomendações’’, contendo sugestões ao Ministério da Agricultura para combater a venda de carne clandestina, como aplicação de multas e penalidades criminais aos donos de abatedouros que não passam por fiscalizações.

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