39 mil crianças em idade escolar fora da sala de aula
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terça-feira, 09 de junho de 2009
Marcela Rocha Mendes<BR> Equipe da Folha 
Curitiba - Embora os indicadores de acesso, aprendizagem, permanência e conclusão do Ensino Básico no Paraná tenham avançado nos últimos anos, a melhora não foi sentida por todos. O relatório Situação da Infância e da Adolescência Brasileira 2009 - O Direito de Aprender: Potencializar Avanços e Reduzir Desigualdades, divulgado ontem pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) aponta que desigualdades étnico-raciais, socioeconômicas e regionais fazem com que parcelas mais vulneráveis da população não tenham garantido o direito de aprender.
Segundo a coordenadora da Unicef para a região Sul, Anna Penido, a constatação vale para o Paraná, onde as diferenças entre as populações urbana e rural são expressivas no que diz respeito ao acesso à educação. No Paraná, o número de crianças entre 4 a 6 anos faixa etária em que frequentar escola é obrigatório fora da escola era de 39 mil, em 2007, equivalente a 2,5% da população dessa faixa etária. A média nacional era de 2,4%.
O total sobe para 108 mil entre adolescentes de 15 a 17 anos. Segundo a chefe do departamento de Educação Básica da Secretaria de Estado da Educação (Seed), falta de vaga não é o motivo da evasão. Se todos desejassem estar na escola, há vagas. O que impede o acesso são, principalmente, questões socioeconômicas e culturais, como a necessidade dos jovens trabalharem. Para garantir a permanência de todos na escola é preciso criar políticas que vão desde o transporte e merenda escolar à formação dos professores e conscientização da importância da educação, avalia.
Por outro lado, 84,7% dos municípios paranaenses superaram a meta do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Mas, para Anna, o dado não é motivo de comemoração. Apesar de o Paraná ter superado o índice, a qualidade de ensino ainda está muito aquém de outros países da América Latina ou dos países desenvolvidos, afirma.
O índice de adequação idade-anos de escolaridade (Iaia) no Paraná superou a média nacional. Mas, a comparação por faixa de renda na classificação demonstra a distância entre os mais e menos favorecidos. Enquanto para a população com rendimento acima de cinco salários mínimos o Iaia chega a 0,99, para a menor faixa de rendimento (de um a quatro salários mínimos) ficou em 0,73.
Para o gestor de relações institucionais da Pastoral da Criança, Clóvis Boufleur, o Paraná teve melhoras significativas, mas ainda destoa dos demais estados da região Sul na atenção à infância. Para ele, há um abismo entre as parcelas mais e menos favorecidas da população. A desigualdade na concentração de renda vem aumentando nas grandes cidades. Há 20 anos não era tão grave como hoje e essa questão influencia na qualidade, bem como no valor dado à educação, diz. Na opinão dele, o desenvolvimento do Paraná depende totalmente da inclusão de 100% das crianças com menos de 6 anos nas escolas.


