Curitiba - Na onda de protestos que toma conta do Brasil, um dos pontos centrais das reivindicações dos manifestantes é a melhoria da qualidade do transporte público e uma maior participação popular na elaboração e implantação de planos de mobilidade. E a falta de consulta à população para a tomada de decisões ficou evidente ontem, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a pesquisa "Perfil dos Municípios Brasileiros 2012".
Conforme o estudo, apenas 210 dos 5.565 municípios do Brasil (3,7% do total) têm um Plano Municipal de Transporte. Além disso, somente 357 cidades (6,4%) mantêm um Conselho Municipal de Transporte. De acordo com o IBGE, estes são canais que deveriam reunir representantes dos governos, usuários, trabalhadores e empresários.
Vânia Pacheco, gerente da Munic 2012, diz que o estudo identificou que a gestão do transporte, na sua imensa maioria, fica restrita a decisões das prefeituras, sem que se tenha uma participação popular.
De acordo com a pesquisa, a existência de conselhos e de planos municipais de transporte cresce conforme o tamanho das cidades. Naquelas que têm entre 100 mil e 500 moradores, 43,6% têm conselhos, e 22,4% têm planos de transporte. Nos grandes centros urbanos com mais de 500 mil habitantes, as proporções sobem para 76,3% de cidades com conselhos municipais, e 55,3% com planos de transporte.

Paraná
Conforme o IBGE, o Paraná tem apenas 15 cidades com planos municipais de transporte: Curitiba, Ponta Grossa, Cascavel, Castro, Francisco Beltrão, Morretes, Umuarama, Paranaguá, Nova Laranjeiras, Laranjeiras do Sul, Ibaiti, Fazenda Rio Grande, Assaí, Cambará e Rancho Alegre D'Oeste. Isso representa apenas 3,7% do total de 399 municípios. Já os conselhos podem ser encontrados em 42 municípios; e apenas 16 têm um fundo específico para investimento em transporte. "É importante destacar que o conselho de transporte e, por consequência, o plano municipal, podem discutir prioridades e melhorias a serem aplicadas também nos pequenos municípios, como a qualidade do transporte escolar e do transporte em estradas da zona rural", destacou Sinval Dias dos Santos, chefe do IBGE no Paraná.
Eduardo Ratton, professor e coordenador de projetos do Instituto Tecnológico de Transporte e Infraestrutura (ITTI) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), destaca que o grande problema é não existe uma continuidade de planejamento urbano para favorecer a mobilidade. "Sem planejamento qualquer tipo de transporte fica sufocado. É necessário saber qual a demanda do município antes de apresentar projetos. Saber a real necessidade de um metrô, de novas linhas de ônibus, além da estrutura viária. Qualquer intervenção vai afetar o deslocamento da população", ressaltou. Ela acrescenta que é preocupante a situação de cidades grandes, como Londrina, que não conta com um plano municipal de transporte. A reportagem tentou contato com o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Carlos Geirinnhas, mas não obteve sucesso.(Com Agência Estado)

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