Moscou, 14 (AE-ANSA) - A ratificação, nesta sexta-feira (14), do Parlamento russo ao tratado Start II é apenas a última etapa da complexa e longa história dos 37 anos de acordos e negociações sobre desarmamento nuclear entre Moscou e Washington.
Foi no governo de Mikhail Gorbachev, líder soviético responsável pela abertura política no regime comunista, que o primeiro Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start I) foi assinado. Abaixo, os principais acordos firmados por Washington e Moscou nas últimas décadas.
Outubro de 1963: Estados Unidos, União Soviética e Grã-Bretanha assinam o Tratado Parcial de Banimento de Testes Atômicos, que proíbe todas as provas na atmosfera, no espaço ou sob água.
Novembro de 1969: Norte-americanos e soviéticos começam conversações regulares para o Tratado de Limitação de Armas Estratégicas (Salt).
Março de 1970: O Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) entra em vigor. Seu objetivo é evitar que as armas nucleares se espalhem.
Maio de 1972: EUA e URSS assinam o Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM), o qual proíbe a criação de um sistema nacional de defesa antimísseis. A lógica do acordo era impedir que os dois países se tornassem "invencíveis" e evitar que se desenvolvessem mais e mais armas para penetrar nesse escudo. O governo norte-americano está tentando agora modificar o ABM para proteger-se de seus inimigos - os chamados Estados "fora-da-lei", como Coréia do Norte, Iraque e Irã. O Kremlin tem-se oposto a qualquer mudança.
Junho de 1979: As duas superpotências assinam o Salt-2, que bloqueia a multiplicação das armas nucleares ofensivas. O Congresso americano não o ratifica por causa da invasão soviética do Afeganistão, mas o acordo é respeitado por ambas as partes.
Dezembro de 1987: Os presidentes Ronald Reagan, dos EUA, e Gorbachev, da URSS, assinam em Washington um tratado eliminando mísseis de médio alcance.
Julho de 1991: Gorbachev e o então presidente americano George Bush assinam o Tratato de Redução de Armas Nucleares (Start-1), que reduz os arsenais de ambos os países em um terço. Em outubro
a URSS anuncia uma moratória de testes nucleares. França e EUA adotam a medida logo depois.
Janeiro de 1993: Bush e o então presidente russo Boris Yeltsin assinam o Start-2. O tratado é ratificado pelo Congresso norte-americano em 1996.
Fevereiro de 1994: Estados Unidos e Rússia concordam em deixar de apontar armas nucleares estratégicas para o território um do outro.
1996: Criado o Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares (CTBT). Para entrar em vigor, precisa da aprovação de todos os países com capacidade conhecida de produzir armas nucleares. Mas várias nações recusam-se a assiná-lo, entre as quais Índia, Paquistão e Coréia do Norte.
Abril de 2000: A Duma - câmara baixa do parlamento russo - ratifica por ampla maioria o "Start II" sob pedido especial do presidente Vladimir Putin. A Rússia, no entanto, vincula a validade da ratificação ao respeito do ABM por parte dos Estados Unidos.

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