35% dos trabalhadores não contribuem com INSS
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quinta-feira, 17 de junho de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Sonia Gonçalves de Amorin, 28 anos, trabalha há quatro anos como vendedora ambulante ganhando cerca de R$ 1,5 mil por mês e nunca se preocupou em contribuir para a Previdência Social. A vendedora faz parte dos 35,2% dos trabalhadores ocupados do Paraná que não contribuem para a Previdência Social. Esses trabalhadores paranaenses estão desamparados na hora de se aposentar ou se tiverem que parar de trabalhar em função de alguma eventualidade.
O dado faz parte do último mapeamento feito pela Secretaria de Previdência Social do Ministério da Previdência Social, com base em números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para Sonia, que só contribuiu para a previdência por dois meses, quando teve sua carteira de trabalho assinada, o gasto com outras prioridades está acima do pagamento para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A contribuição individual tem que ser de 20% sobre o salário, sendo que a base mínima é R$ 260.
Para a superintendente substituta do INSS no Paraná, Liziane Regina Pellegrini, esse índice de trabalhadores que não contribuem para a previdÊncia é alto e alarmante, já que o mercado informal está crescendo cada vez mais. ''As pessoas acham que nunca vão envelhecer ou que não vão passar por nenhum fatalidade. Mas é preciso prevenir'', argumenta. Liziane lembra que os benefícios da contribuição não são só a aposentadoria por idade ou tempo de serviço. O segurado tem direito ao auxílio acidente, doença, reclusão ou morte, salário maternidade e salário família.
E exemplos de idosos que estão lutando para sobreviver por não terem aposentadoria não faltam. Quando questionada se recebia aposentadoria, a vendedora ambulante Nivalda de Araújo Luz, 64 anos, que tem uma barraca ao lado de Sonia, respondeu apontando para sua mercadoria: ''Essa é a minha aposentadoria''. A vendedora, que também ganha em média R$ 1,5 mil por mês, diz que contribuiu durante o tempo que trabalhou com carteira assinada. Ela não se lembra quantos anos contribuiu, mas não se esquece do fato de ter ficado em um emprego por mais de 20 anos achando que estava registrada e depois descobrir que havia sido enganada por seus patrões.
Apesar de o ideal ser contribuir para a previdência durante toda a vida profissional, nunca é tarde para começar. Liziane explica que é possível iniciar a contribuição a qualquer momento. E, quando a pessoa atingir a idade para se aposentar (60 anos para mulher e 65 para homens) ou tiver algum problema pode receber proporcional ao tempo que pagou. Quem quiser mais informações sobre como contribuir pode ligar para o INSS no 0800-780191.


