34 milhões de brasileiros sofrem crise de enxaqueca
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domingo, 11 de junho de 2006
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Aproximadamente 20% das mulheres brasileiras sofrem de enxaqueca, mal que entre os homens se dispõe em proporção menor: de 5% a 10%, segundo estimativa da Sociedade Brasileira de Cefaléia (SBC). Estima-se que 34 milhões de brasileiros tenham de duas a cinco crises de enxaqueca por mês, mas somente 5% recebem tratamento preventivo.
A falta de prevenção é ratificada pelo neurologista Pedro Kowacs, especialista em enxaqueca, do Centro de Dor de Cabeça do Hospital de Clínicas (HC) de Curitiba. Segundo ele, três quartos dos pacientes que sofrem de enxaqueca têm tendência a várias crises por mês, e, em geral, a maioria das pessoas não faz tratamento e usa analgésicos, indiscriminadamente. ''É necessário fazer a prevenção da dor para evitar que ela se torne crônica, o que dificulta o tratamento'', acrescentou.
Há uma quantidade grande de medicamentos disponível, hoje, para o tratamento da enxaqueca, lembrou Kowacs, sendo que a maioria não foi produzida, originalmente para a doença, mas atuam como estabilizadores das funções do cérebro. O tipo de remédio ou a combinação deles deve ser adequado ao perfil do paciente.
Uma outra preocupação da classe médica, é em relação aos prejuízos à visão em consequência do tratamento inadequado ou do não tratamento da enxaqueca. Segundo o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, de Campinas, São Paulo, Leôncio Queiroz Neto, a falta de tratamento da enxaqueca com aura visual caracterizada por enxergar luzes piscando, manchas brilhantes e visão borrada durante a crise aumenta o risco da falhas permanentes no campo visual e de perda da visão.
O médico explica que durante a crise de enxaqueca acontece uma insuficiência de irrigação sanguínea ou isquemia. Quando essa insuficiência é frequente, pode provocar, ao longo dos anos, a morte de células de uma camada da retina: parte do globo ocular que capta a luz e leva ao cérebro onde são formadas as imagens. Entre os fatores que podem agravar a isquemia, estão o tabagismo e o uso de anticoncepcionais.
Para Queiroz, o potencial de problemas oculares relacionados à enxaqueca é elevado no Brasil Ele adverte que muitas doenças se tornam crônicas, como é o caso da enxaqueca, devido à automedicação, que é bastante frequente entre brasileiros.


