Desde o início das investigações envolvendo a cobrança de propinas, 32 funcionários e dois administradores regionais - Lapa e Vila Mariana - já foram afastados de suas funções. O esquema começou a ser investigado pelo Ministério Público Estadual (MPE) no início de dezembro do ano passado, após a prisão do chefe de fiscalização da Administração Regional de Pinheiros, Marco Antonio Zeppini. Ele foi preso em flagrante após, supostamente, tentar extorquir a comerciante Soraia da Silva, dona de uma academia de ginástica na região dos Jardins.
A principal arma da corrupção é a burocracia para regularização de imóveis e estabelecimentos comerciais. No meio do caminho, por exemplo, descobriu-se que quase todos os estacionamentos da cidade funcionam de maneira irregular. Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do MPE, começaram a trabalhar para montar toda a hierarquia de corrupção. Os principais subsídios dos promotores são as agendas encontradas com o fiscal Zeppini e depoimentos de comerciantes estabelecidos na região de Pinheiros.
Aos poucos, o esquema começou a ser desvendado. As primeiras denúncias oferecidas pelo MPE foram contra os fiscais Claudio Palma e Vera Lúcia Lopes Aires, além do próprio Zeppini. Todos os envolvidos deverão responder processo por concussão (extorsão). O crime, descrito no artigo 316 do Código Penal, prevê de dois a oito anos de prisão.
A descoberta do envolvimento da engenheira Maria Thereza Ferrari de Castro, chefe de unidade técnica da AR-Pinheiros, revelou que Zeppini não era o principal chefe do esquema. As agendas do fiscal também revelam movimentações bancárias de todo o grupo. Calcula-se que, mensalmente, eram movimentados cerca de R$ 3 milhões.
No início do ano, os promotores receberam o reforço de dois delegados da Polícia Civil nas investigações. Esquemas semelhantes ao de Pinheiros começaram a ser desvendados em outras regionais.
Na Penha, zona leste, dois fiscais foram presos acusados de cobrar propinas de comerciantes da região. Pela primeira vez, um dos acusados, o fiscal Clóvis Feitosa de Araújo, levantou a hipótese de um vereador comandar todo o esquema. No depoimento prestado à polícia, Feitosa citou o vereador Vicente Viscome (PPB) como o possível chefe da corrupção. O parlamentar, que controla politicamente a AR-Penha, não foi localizado nos últimos dias. (M.L.)

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