Campinas, SP, 15 (AE) - Uma pesquisa realizada com alunos que ingressaram este ano na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) revela que 31,4% deles vieram de escolas públicas. O curso mais procurado é pedagogia (60,9%). Química, Física e Ciências biológicas, todos do período noturno, respondem por 58% da preferência. Para as carreiras de medicina, arquitetura, odontologia, biologia e engenharia civil e da computação 80% vieram de escolas particulares. Em medicina, tradicionalmente mais procurado em todos os anos, 92,8% dos alunos matriculados passaram por escolas pagas.
Dos 2.400 alunos nos 50 cursos da Unicamp, sendo 19 dentro do período noturno, 69,5% não exercem atividade remunerada. Do total, 23% têm renda familiar inferior a dez salários mínimos, 10% acima de 40 salários mínimos e o restante, 67%, entre essas faixas. Os alunos do sexo masculino são 60,3%. Solteiros, 95,1%. A grande maioria, 70,4%, tem idade entre 17 e 19 anos. 67,7% são do Interior de São Paulo.
O objetivo da pesquisa foi o verificar o perfil socio-econômico dos alunos para desmistificar o conceito de elitização da universidade pública, segundo o pró-reitor de graduação da Unicamp ¶ngelo Cortelazzo. "Por ser muito concorrido, o vestibular exige cada vez mais alunos melhores preparados. O nosso exame retrata o histórico escolar do ensino médio" disse. Ele acredita que as escolas públicas estão passando por uma crise: não conseguem passar satisfatoriamente os conteúdos curriculares, provocando uma deficiência no ensino e revelando alunos sem embasamento para enfrentar um vestibular.
Outro ponto destacado por Cortelazzo está relacionado com a auto exclusão dos estudantes em período de inscrição ao vestibular. "Aqueles que vêm das escolas públicas acreditam que não terão chances e acabam abandonando a idéia de tentar o ingresso na Unicamp" revela. Ele disse que as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) são uma oportunidade de os estudantes fazerem uma auto avaliação.
A comissão central de graduação da Unicamp está estudando mudanças nas regras de transferências de cursos para os alunos ingressantes em primeira chamada por ser comum o arrependimento da escolha. A comissão pretende aumentar o número de cursos destinados ao período noturno até julho. O manual do candidato começa a ser distribuido em setembro. A primeira fase será em novembro e a segunda em janeiro.

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